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França/Governo

Macron dá guinada à direita para conquistar eleitorado conservador

Emmanuel Macron a prononcé un discours sur une stratégie de défense de l'UE, à l'Ecole Militaire, à Paris, le 7 février 2020.
Emmanuel Macron a prononcé un discours sur une stratégie de défense de l'UE, à l'Ecole Militaire, à Paris, le 7 février 2020. Francois Mori/Pool via REUTERS

A imprensa francesa analisa, nesta segunda-feira (10), os últimos anúncios do presidente Emmanuel Macron, focados em questões que agradam ao eleitorado francês mais conservador. Para vários jornais, não há dúvida de que o chefe de Estado centrista, que sempre se recusou a adotar uma orientação política à esquerda ou à direita, tomou uma clara direção.

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"Macron dá guinada à direita" é uma das manchetes do jornal Le Parisien. Segundo o diário, o presidente está convencido de que as eleições de 2022 serão decididas com base em questões como imigração, segurança e a luta contra a radicalização, que preocupam a parcela mais conservadora da população.

Segundo fontes do governo ouvidas pelo jornal, Macron teria decidido virar à direita em meados de 2019. Em um jantar com ministros e outros dirigentes franceses, o presidente teria anunciado que a única forma de vencer a líder da extrema direita Marine Le Pen em 2022 seria deixando o caminho do centro, adotado até então pelo governo, mas jamais assumido.

Por isso, o segundo semestre de 2019 do presidente francês já começou com um debate sobre a imigração, seguido por uma entrevista exclusiva, que ocupou 11 páginas da revista conservadora Valeurs Actuelles, em outubro. "Macron sabe que, a cada pesquisa de opinião, questões como segurança e ordem pública aparecem como as principais preocupações dos franceses. Se ele não responder a essa demanda, nossos adversários vão ocupar esse espaço", afirma um representante do partido governista A República em Marcha ao jornal Le Parisien.

Por isso, segundo o diário, na segunda fase do mandato de Macron, as atenções estarão voltadas aos eleitores da direita. Não é por acaso, diz Le Parisien, que homenagens ao general Charles de Gaulle, figura adorada pelos conservadores, se multiplicarão em 2020.

Estratégia causa divisões dentro do governo

No entanto, a ala mais progressista do governo teme que a estratégia acabe levando boa parte do eleitorado ainda mais para a extrema direita. "Os franceses sempre preferiram mais o original do que a cópia", afirma um dos ministros de Macron ao jornal.

As divisões dentro do partido devido ao novo posicionamento do presidente francês também são assunto de uma matéria do jornal Libération. O recente discurso do presidente sobre a laicidade e o espaço para o Islã na França preocupam o governo a ponto de muitos acreditarem que esses assuntos devam ser abordados apenas depois das eleições municipais francesas, em março.

Segundo fontes do governo, o plano de Macron contra a radicalização está quase pronto. Deve focar na educação popular para promover a inclusão e lutar contra o que Macron chama de "separatismo islâmico". Por isso, o partido A República em Marcha deve apostar na estratégia de reconquista do eleitorado nas localidades mais atingidas pela radicalização, associando-se ao Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM).

Apesar de todas essas precauções, a matéria afirma que o presidente sabe que será duramente criticado por seus adversários durante a campanha para as eleições municipais. "Alguns dirão que ele é medroso, enquanto outros verão um detestável apelo ao terreno da extrema direita", conclui o jornal Libération.

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