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Cinema/Demissão

Direção da Academia dos Césars, o Oscar do cinema francês, pede demissão em bloco

O produtor francês Alain Terzian, que presidia a Academia dos Césars, deixou o cargo com outros 20 membros na quinta-feira (13).
O produtor francês Alain Terzian, que presidia a Academia dos Césars, deixou o cargo com outros 20 membros na quinta-feira (13). ©Martin Bureau

Todo o conselho de administração da Academia dos Césars, o "Oscar do cinema francês", anunciou na quinta-feira (13) a demissão coletiva de todos os seus membros. O ato é registrado a 15 dias da edição de 2020 da cerimônia, marcada pela polêmica em torno das 12 indicações do cineasta franco-polonês Roman Polanski e muitas críticas à gestão da instituição.

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"Para honrar aquelas e aqueles que fizeram cinema em 2019, para encontrar a serenidade e fazer com que a festa do cinema continue sendo uma festa, o conselho administrativo da Associação para a Promoção do Cinema decidiu pedir demissão por unanimidade", indica o comunicado divulgado pela entidade, presidida desde 2003 pelo produtor Alain Terzian. "Esta demissão coletiva permitirá que seja feita a renovação completa da direção", acrescenta a mensagem.

No total, 21 membros deixaram a diretoria da organização, entre eles os cineastas Costa-Gavras, Claude Lelouch e Tonie Marshall. O ministro francês da Cultura, Franck Riester, afirmou que a renovação da liderança da Academia vai permitr "representar o cinema francês em todas as suas estéticas e sua diversidade".

O anúncio ocorre pouco depois da publicação, na última segunda-feira (10), de um manifesto no jornal Le Monde, na qual cerca de 200 personalidades francesas do cinema, reivindicam um "reforma profunda" na Academia. O documento foi assinado por atores como Léa Seydoux e Omar Sy e diretores como Michel Hazanavicius e Jacques Audiard.

No documento, eles denunciam um sistema de seleção elitista e conservador, destacando que a instituição se tornou "uma estrutura onde a maioria dos membros da Academia não está de acordo com as escolhas feitas e que não refletem a vitalidade do cinema francês atual". Também criticam o "mau funcionamento", a "falta de transparência na contabilidade" e estatutos que "não mudam há muito tempo" e que se baseiam na "cooptação".

Revolta contra Roman Polanski

Outro caso que desgastou a imagem da Academia dos Césars é a revolta de lideranças feministas com a indicação em doze categorias do filme "J'accuse", do cineasta franco-polonês Roman Polanski. Em uma tribuna publicada na quarta-feira (12) pelo jornal Le Parisien, várias personalidades e organizações prometem marcar presença durante a cerimônia de entrega dos prêmios, no próximo 28, "para dizer não à celebração de um estuprador pedófilo que silencia as vítimas".

O texto afirma que com as 12 indicações "o mundo do cinema concedeu um apoio forte e incondicional a um estuprador em fuga, que reconheceu ter drogado e estuprado uma menina de 13 anos e fugiu da justiça americana". O próprio Alain Terzian, que deixou a Academia no ato de demissão coletiva na quinta-feira, havia justificado anteriormente as indicações de Polanski afirmando que a instituição não faz julgamentos morais. "Trata-se de justiça, não de moral", afirma a carta aberta.

O documento também classifica a Academia dos Césars como "sexista", lembrando que neste ano há apenas uma mulher concorrente na categoria de melhor diretor e melhor filme. Atualmente "55% dos estudantes de cinema são do sexo feminino, mas apenas 6% de mulheres são recompensadas nos Césars", alegam as feministas.

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