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França

Deputado francês vítima de difusão de vídeo sexual abre processo; Pavlenski é preso

Benjamin Griveaux durante o anúncio de retirada de sua candidatura à prefeitura de Paris, na última sexta-feira (14).
Benjamin Griveaux durante o anúncio de retirada de sua candidatura à prefeitura de Paris, na última sexta-feira (14). Lionel BONAVENTURE / AFP

O escândalo que abala as eleições municipais de março na França e levanta suspeitas sobre ingerência externa na campanha eleitoral tem novos desdobramentos. O artista e ativista russo Piotr Pavlenski, 35 anos, e sua companheira, a advogada Alexandra de Taddeo, 29 anos, estão detidos desde sábado (14) na capital francesa. Ela teria sido a destinatária dos vídeos sexuais filmados em 2018 pelo ex-candidato Benjamin Griveaux, que renunciou à disputa pela prefeitura de Paris.

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A advogada Alexandra Taddeo vive com Pavlenski desde janeiro do ano passado. Ela seria a interlocutora com quem Griveaux trocou mensagens íntimas e enviou vídeos com cenas de masturbação.

Em imagens publicadas nos últimos meses nas redes sociais (veja tuítes abaixo), Pavlenski e Taddeo aparecem ao lado de Juan Branco, um advogado e ensaísta opositor à política do presidente Emmanuel Macron. Branco, simpatizante do movimento dos coletes amarelos, é advogado do australiano Julian Assange e também do ativista russo.

Juan Branco, advogado do Julien Assange, também é defensor do russo Piotr Pavlenski e opositor ao presidente Emmanuel Macron.
Juan Branco, advogado do Julien Assange, também é defensor do russo Piotr Pavlenski e opositor ao presidente Emmanuel Macron. wikipédia

No sábado, Griveaux, que concorria à prefeitura de Paris pelo partido de Macron (A República em Marcha – LREM), prestou queixa por "invasão de privacidade", um dia depois de renunciar à disputa. A Procuradoria de Paris abriu uma investigação que levou à detenção de Pavlenski e sua companheira no momento em que deixavam um hotel na periferia da capital.

A advogada responde a interrogatório sob acusação de "invasão de privacidade e difusão de imagens de conteúdo sexual sem consentimento", segundo a Procuradoria de Paris. Já o artista e ativista russo foi indiciado por "violência em grupo" em um outro caso, ocorrido na noite do Reveillon. No final do ano passado, Pavlenski se envolveu numa briga num apartamento parisiense e teria usado uma faca de cozinha. Duas pessoas ficaram feridas no incidente.

Defesa não acredita que russo agiu sozinho

O advogado do deputado, Richard Malka, disse que a investigação aberta permitirá apurar "todas as infrações cometidas pelo autor da divulgação inicial das imagens e por todos aqueles que replicaram os vídeos nas redes sociais".

De acordo com o Código Penal francês, a infração por "invasão de privacidade" pode resultar em condenação a um ano de prisão e multa de € 45.000. Além disso, desde outubro de 2016, a divulgação específica de imagens sexuais capturadas em locais públicos ou privados é punida com dois anos de prisão e multa de € 60.000. Esse artigo foi incorporado à Lei Digital para lidar com o crescente fenômeno da chamada “vingança pornográfica”, que se tornou frequente nas redes sociais após o fim de relacionamentos. Todas as pessoas que compartilharam os vídeos divulgados por Pavlenski nas redes sociais podem ser condenadas.

Pavlenski vive como asilado político na França desde 2017. No mesmo ano, ele incendiou a fachada de uma agência do banco central francês na praça da Bastilha, em Paris, entre outras "performances" artísticas controvertidas. Em janeiro de 2019, o russo foi condenado a três anos de prisão em razão do incêndio, mas permaneceu em liberdade.

Na sexta-feira (13), Pavlenski admitiu ser o ator da divulgação do vídeo sexual de Griveaux na internet, no site Pornopolítica", criado por ele no ano passado.

O russo alegou que sua intenção foi denunciar a "hipocrisia" do ex-candidato. "Ele utilizou a família para se apresentar como um ícone para todos os pais e maridos de Paris, fazendo propaganda dos valores tradicionais", afirmou Pavlenski.

Mas o advogado do deputado considera essa justificativa "grotesca". "Nunca vi personalidade mais cínica", observou, referindo-se ao russo. "Estamos diante de uma impostura absoluta, com pseudoartistas que consideram estar numa ditadura e podem dar lição de moral", declarou Malka. O advogado do ex-candidato não acredita que o ativista russo tenha agido sozinho. Alguns observadores suspeitam de ingerência externa; outros analistas veem o caso como uma cilada armada por ativistas opositores de Macron.

Da extrema esquerda à extrema direita, todos os partidos políticos franceses condenaram a divulgação dos vídeos e se solidarizaram com Griveaux. A sigla LREM ainda não indicou um substituto para representar a maioria governamental nas municipais de Paris. O prazo para registro de candidaturas vai até o fim do mês.

Macron lança advertência sobre ingerência da Rússia

Ontem, em sua participação na Conferência de Segurança de Munique, na Alemanha, sem se referir diretamente ao caso, o presidente Macron lançou um novo alerta contra a ingerência da Rússia em campanhas eleitorais.

"A Rússia continuará tentando desestabilizar as democracias ocidentais manipulando redes sociais e influenciando as eleições (...) via atores privados, agências ou intermediários", disse o líder francês. "Moscou continuará sendo um ator extremamente agressivo nesse assunto nos próximos meses e nos próximos anos. Em todas as eleições, a Rússia procurará ter estratégias desse tipo ou terá atores agindo em seu nome", acrescentou Macron.

O presidente francês destacou que essas manipulações não são prerrogativas exclusivas da Rússia. "Atores conservadores da ultradireita americana têm se intrometido nas eleições europeias", disse ele, referindo-se aos apoiadores do presidente Donald Trump. Sem citar nomes, Macron se referia, por exemplo, a Steve Banon, ex-estrategista de Trump e que prestou serviços para a líder de extrema direita francesa Marine Le Pen.

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