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França/Escândalo

Artista russo e namorada são indiciados por divulgar vídeo sexual de deputado francês

O artista russo Piotr Pavlenski conversou com a imprensa ao deixar o tribunal judiciário de Paris, nesta terça-feira (18).
O artista russo Piotr Pavlenski conversou com a imprensa ao deixar o tribunal judiciário de Paris, nesta terça-feira (18). GUILLAUME DAUDIN / AFP

O artista russo Piotr Pavlenski e a namorada, Alexandra de Taddeo, foram indiciados nesta terça-feira (18) dentro do caso que resultou na renúncia de um dos candidatos à prefeitura de Paris, Benjamin Griveaux. Na última sexta-feira (14), vídeos de caráter sexual atribuídos ao deputado próximo do presidente Emmanuel Macron foram divulgados, causando um tsunami político na França.

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Segundo o jornal Le Monde, Piotr Pavlenski, de 35 anos, e a estudante de Direito, Alexandra de Taddeo, de 29 anos, são acusados de "ataque à intimidade da vida privada" e "difusão sem acordo da pessoa de imagens de caráter sexual". O artista russo já havia reconhecido na sexta-feira ser o responsável pela divulgação do vídeo que resultou na renúncia de Griveaux. A namorada do artista russo é a destinatária das mensagens e vídeos enviados pelo deputado francês há cerca de dois anos.

O casal foi detido no sábado (15) durante 48 horas para interrogatório, passou um noite no tribunal judiciário de Paris e foi submetido a uma audiência diante de um juiz. Após a acusação, Pavlenski e de Taddeo foram libertados na noite desta terça-feira, mas seguem sob o controle da justiça e devem ser novamente convocados para depor nos próximos dias. Eles foram considerados responsáveis por conservar, transmitir e divulgar vídeos íntimos do ex-candidato à prefeittura de Paris.

Ao deixar a prisão, o artista russo voltou a reconhecer sua responsabilidade na difusão dos vídeos e afirmou não ter mais contato com a namorada desde o fim de semana. "Vão me prender se eu tentar vê-la", afirmou.

Pavlenski não deu sinais de arrepender do ato: "Claro que sim, estou feliz de ter feito o que fiz", afirmou, ao deixar o tribunal judiciário de Paris. O artista ainda declarou aos jornalistas franceses que pretende dar sequência a seu "projeto pornopolítico".

Já Alexandra de Taddeo reconheceu ser a destinatária dos vídeos enviados por Griveaux por celular, negou sua implicação na divulgação das imagens, mas disse apoiar Pavlenski. "Ela salvou os vídeos não para divulgá-los em um site, mas para guardá-los", declarou sua advogada Noémie Saidi-Cottier. "Ela conversará com a imprensa quando tiver coragem", reiterou.

Ambos estão sob controle judiciário e foram proibidos de se encontrar ou manter qualquer contato. Segundo fontes próximas do caso, a estudante tem outros vídeos de caráter sexual enviados por Benjamin Griveaux. Ela teria conhecido o deputado em 2018, após troca de mensagens no Instagram.

Reviravolta na campanha para eleições municipais

Algumas horas após a divulgação dos vídeos e mensagens de caráter sexual no site Pornopolitique, na última sexta-feira, Benjamin Griveaux, de 42 anos, então candidato do partido governista A República em Marcha, renunciou. "Minha família não merece isso. Ninguém deveria ser alvo de tanta violência", afirmou, em coletiva de imprensa.

Os dois vídeos enviados por ele à Alexandra de Taddeo, intitulados de “presente antes do jantar” e “presente da manhã antes de despertar”, mostram um torso de um homem se masturbando. Nos prints das mensagens de celular, o nome "Benjamin Griveaux" aparece como o autor dos SMS e gravações.

Apesar de ter condenado a divulgação do material, o deputado não negou ser o autor das mensagens e dos vídeos. "Essa decisão me custa caro, mas minhas prioridades são muito claras. Primeiro vem a minha família, vocês entenderam bem", frisou o ex-candidato, ao abandonar a corrida pela prefeitura de Paris. Griveaux é casado com a advogada Julia Minkowski, com quem tem três filhos.

Objetivo de artista russo foi "denunciar a hipocrisia"

Na última sexta-feira, em entrevista ao jornal Libération, Pavlenski explicou que sua intenção ao divulgar os vídeos e as mensagens era "denunciar a hipocrisia" do candidato à prefeitura de Paris. "É alguém que defende insistentemente os valores da família, que diz que queria ser o candidato das famílias e sempre cita como exemplo sua mulher e seus filhos. Mas ele faz o contrário de tudo isso", destaca o artista.

"Não me incomoda que as pessoas tenham a sexualidade que queiram. Elas podem mesmo transar com animais, não tem problema para mim. Mas as pessoas têm que ser honestas", reiterou o artista russo. "Ele quer ser o chefe de uma cidade, mas mente aos eleitores. Agora eu vivo na França, sou parisiense, e isso é importante para mim", ressaltou.

Pavlenski recebeu asilo da França em 2017, após ter fugido da Rússia. Em 2019, foi condenado a dois anos de prisão com direito a sursis por ter incendiado a fachada de uma sucursal do Banco da França, em Paris, dois anos antes.

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