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França/Nuclear

Les Echos levanta dúvidas sobre desmantelamento anunciado da mais antiga central nuclear da França

Destaque na imprensa francesa para o desmantelamento das centrais nucleares francesas, após anuncio do fechamento da central de Fessenheim a mais antiga do país.
Destaque na imprensa francesa para o desmantelamento das centrais nucleares francesas, após anuncio do fechamento da central de Fessenheim a mais antiga do país. REUTERS/Vincent Kessler

O desafio do desmantelamento das usinas nucleares na França, após o anúncio do fechamento da central mais antiga do país é analisado pelo Les Echos nesta quinta-feira (20). A central de Fessenheim começa a ser desativada a partir do próximo sábado (22).

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O jornal escreve que independentemente das pessoas “serem antinucleares, ativistas de manifestações contra o perigo da energia atômica, ou, ao contrário, defensores dessa fonte de energia, prontos a exaltar sua baixa emissão de carbono neste momento crucial de luta contra as mudanças climáticas, o 19 de fevereiro de 2020 entrará para a história como o dia em que um decreto presidencial foi publicado no Diário Oficial, sentenciando o fechamento da Central de Fessenheim”.

Localizada perto da fronteira com a Alemanha, a central nuclear é a mais antiga da França. A usina está em funcionamento desde 1977, foi alvo de várias manifestações e motivou até greves de fome de opositores. Em 2011, o chefe de Estado socialista François Hollande prometeu fechar o local. Só agora o decreto do presidente Emmanuel Macron concretiza a promessa.

Fessenheim começará a ser desativada com o fechamento de um de seus dois reatores. Este será o primeiro passo do desmantelamento que prosseguirá até pelo menos 2040. O reator número um da central vai parar na madrugada de sábado. A paralisação gradual do reator de água pressurizada de 900 megawatts começará na sexta-feira (21) à noite.

O reator número dois será desligado em 30 de junho. As datas constituem "uma primeira etapa na estratégia energética da França", afirma um comunicado divulgado pelo gabinete do primeiro-ministro Edouard Philippe, reproduzido pela imprensa. A retirada do combustível usado no local acontecerá até 2023.

Custos subestimados

Les Echos lembra que a central de Fessenheim é como um protótipo para a empresa de energia elétrica francesa EDF. Todas as outras centrais nucleares em funcionamento no país seguem o mesmo modelo de dois reatores de água pressurizada. Fessenheim não é a única visada. A programação oficial prevê o fechamento de 12 outros reatores entre 2027 e 2035.

A EDF indica ter a tecnologia necessária, mas existem muitas dúvidas sobre a capacidade do setor em bancar os custos e os prazos previstos para o desmantelamento, aponta o diário econômico. A estocagem do lixo atômico também preocupa.

O custo real da operação é difícil de ser avaliado. Em junho de 2019, a empresa de energia francesa previu € 40 bilhões, um valor que vários especialistas julgam subestimado. A Alemanha, que tomou a decisão de desativar todas as suas usinas nucleares até 2022, previu 2,4 vezes mais que EDF.

Consequências econômicas

Outro problema são as consequências econômicas do desmantelamento para a região de Fessenheim. Se os opositores da energia nuclear comemoram o fechamento da central, os funcionários e os políticos da cidade denunciam uma "catastrofe econômica" e um desperdício "industrial e humano", destaca Le Monde.

Os 700 funcionários da EDF que trabalham no local serão transferidos para outras cidades e os 280 trabalhadores de empresas que prestam serviço para a central correm o risco de ficar desempregados. Uma sindicalista entrevistada pelo jornal afirma que Fessenheim produziu, desde sua inauguração em 1977, 437 bilhões de kilowatts/hora; sendo 12,3 bilhões deles em 2019, quando registrou o quinto melhor desempenho da história da central. "Uma energia não poluente, que não contribui com o aquecimento global", ressalta a sindicalista Anne Laslo.

EDF pagou em 2019, € 14 milhões de impostos aos municípios onde está instalada Fessenheim. A região, que tem uma taxa de desemprego de 8,2%, depende principalmente do setor nuclear que gera, segundo um estudo do INSEE, dois mil empregos diretos e indiretos. “Fomos sacrificados”, lamenta o prefeito de Fessenheim.

Para evitar qualquer provocação com os moradores, as organizações ecológicas francesas e alemãs não farão uma manifestação para comemorar o início do desmantelamento em frente da central, informa Le Monde. Elas vão conceder uma entrevista coletiva em Colmar, a alguns quilômetros de Fessenheim. Mas uma associação pró-nuclear irá ao local protestar contra o fechamento da usina.

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