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UE/Coronavírus

ONG lança campanha "contra o vírus do racismo antiasiático" na França

A imprensa francesa registra a atmosfera de medo que começa a tomar conta da França com a epidemia de coronavírus no norte da Itália.
A imprensa francesa registra a atmosfera de medo que começa a tomar conta da França com a epidemia de coronavírus no norte da Itália. Fotomontagem RFI

A imprensa francesa registra nesta terça-feira (25) a atmosfera de pavor que começa a tomar conta da França com a propagação da epidemia de coronavírus na Itália. O jornal Le Parisien diz que o vírus "já ganhou" nas redes sociais.

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"A lei do boato desafia todos os conhecimentos da ciência e da infectologia", observa o diário Le Parisien. Dos Estados Unidos a Roma, passando por cidades do interior da França, as pessoas suspeitam da existência de doentes fantasmas e denunciam os efeitos nefastos da globalização, nota o jornal.

A rejeição aos asiáticos fez a ONG SOS Racismo elaborar uma campanha para difusão nas redes sociais, a fim de combater os clichês e o preconceito contra esses nativos. "É preciso tratar o vírus do racismo", diz o presidente da organização, Dominique Sopo.

Conforme a epidemia de coronavírus foi avançando na China, o comércio mantido pelos chineses em Paris e outras cidades francesas foi ficando às moscas. A SOS Racismo vai utilizar tirinhas de quadrinhos e vídeos humorísticos para combater as discriminações, que atingem indistintamente chineses, japoneses, vietnamitas, sul-coreanos, cambojanos, filipinos. Basta ter a aparência asiática para ser tratado com preconceito, como se todos compartilhassem os mesmos hábitos culturais, principalmente se alimentar com animais selvagens.

Coronavírus ressuscita debate sobre controle de fronteiras na França

Com a expansão da epidemia na vizinha Itália, rádios e canais de TV informam nesta terça-feira (25) que a França decidiu, por enquanto, não fechar a fronteira franco-italiana. Mas as autoridades recomendam a todos os franceses, sobretudo estudantes que estiveram de férias nos países onde a epidemia está declarada, que fiquem em casa, em quarentena, por 14 dias.

Cento e oito hospitais estão de prontidão em todo o território francês para acolher pacientes com o Covid-19. Além do estoque atual de 60 milhões de máscaras, o Estado encomendou novos lotes de máscaras mais eficazes para uso de médicos e agentes hospitalares, caso venham a ter contato direto com doentes. Até agora, a França registrou 12 casos de coronavírus no país e uma morte, um turista chinês de 80 anos.   

O jornal progressista Libération defende o governo das críticas e do que considera "oportunismo" de políticos de direita. O risco de propagação da epidemia fez Marine Le Pen, líder da extrema direita, e o deputado conservador Eric Ciotti reclamarem controles rígidos na fronteira franco-italiana. Na avaliação do Libération, o governo está certo em manter o sangue frio e seguir as recomendações dos infectologistas, em vez de espalhar pânico na população com medidas inócuas.

O jornal Les Echos também nota que a epidemia do coronavírus ressuscitou o debate sobre o controle das fronteiras internas na Europa, como ocorreu durante a crise migratória de 2015. Les Echos aponta o reflexo primário e xenófobo de alguns políticos: "Colocamos uma máscara, isolamos e confinamos quem vem de fora, ou seja, construímos uma fronteira entre nós e a doença", ironiza o diário econômico, lamentando a ausência de quarentena na política.

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