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Coronavírus/Futebol

Coronavírus: França autoriza jogo Lyon-Juventus pela Champions e provoca polêmica

Os torcedores da Juventus de Turim, durante jogo contra Bréscia em 16 de fevereiro de 2020.
Os torcedores da Juventus de Turim, durante jogo contra Bréscia em 16 de fevereiro de 2020. REUTERS/Massimo Pinca

A propagação do coronavírus na Itália não vai atrapalhar em nada a programação do duelo entre o Lyon e a Juventus nesta quarta-feira (26), válido pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa. Apesar da epidemia, o jogo foi mantido e mais de três mil torcedores italianos são esperados esta noite na cidade francesa. Nenhuma medida restritiva foi imposta antes da partida, revoltando vários políticos franceses.

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Emora Turim não esteja localizada na área de foco da epidemia, a situação é paradoxal diante da rapidez da multiplicação de casos de contaminação e de mortes, principalmente no norte da Itália. Nem a secretaria de Segurança de Lyon, nem o ministério do Interior francês decidiram proibir a vinda dos torcedores da Juventus à França.

Os primeiros «tifosi» começaram a chegar na terça-feira (25) a Lyon e não foram nem controlados na fronteira. A preocupação cresce na cidade. A livre circulação dos torcedores desagrada particularmente dois prefeitos da região metropolitana: Laurence Fautra, prefeita de Décine, onde está localizado o estádio do Olympique de Lyon (OL), e Christophe Quiniou, da cidade vizinha de Meyzieu. Os dois políticos eram contra a manutenção do jogo. Eles estimam que o princípio de precaução deveria imperar.

"Não dá para entender"

A ex-candidata socialista à presidencial de 2007, Ségolène Royal, também critica a decisão das autoridades em relação ao jogo. Em uma entrevista à TV nesta quarta-feira, ela diz que autorizar a vinda dos torcedores italianos é “incoerente” e que a “opinião pública não entende” a decisão em plena crise do coronavírus.

"Não dá para entender porque alunos franceses que passaram férias na Itália são colocados em quarentena e porque os torcedores podem viajar para assistir o jogo", exemplificou Royal.

“As mesmas orientações são dadas dos dois lados da fronteira franco-italiana”, garantiu Aurore Bergé, deputada e porta-voz do partido governamental La République em Marche (A República em Marcha- LREM), em entrevista à RFI. “Dizemos a todos que, se houver algum sintoma da doença, o melhor é não viajar e até ficar em quarentena. Não há nenhuma razão para que as pessoas (italianas) sejam menos sensatas e que as orientações sejam mais brandas na Itália”, acrescentou Bergé

Técnico da Juventus defende torcedores

Na Itália, a autorização para que os torcedores da Juventus possam assistir o duelo contra o Lyon na França é uma “exceção”, relata a correspondente da RFI em Roma, Anne le Nir. O governo italiano tomou medidas de precaução draconianas, principalmente no norte do pais, principal foco da epidemia. Os jogos de futebol na região foram cancelados ou serão disputados sem o público, a portas fechadas.

Na terça-feira, os ministros da Saúde francês e italiano, que participavam em Roma de uma reunião europeia sobre o coronavírus, não quiseram comentar essa “exceção”.

Na imprensa italiana, todos os jornais citam apenas o técnico da Juventus, Maurizio Sarri. Para ele, “o vírus é um problema europeu e não apenas italiano. Na França, apenas 300 testes de detecção foram realizados. Na Itália, fizemos 3.500. Nossos torcedores têm o direito de assistir ao jogo”. Irônico, o treinador do clube completou que talvez a França tivesse mais casos de contaminação se tivesse realizado mais testes.

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