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Homofobia/Esporte

Liga francesa de Rugby lança campanha contra a homofobia

Com equipes compostas por jogadores com perfis diferentes, o rugby é um esporte particularmente adequado para falar sobre a diversidade.
Com equipes compostas por jogadores com perfis diferentes, o rugby é um esporte particularmente adequado para falar sobre a diversidade. REUTERS/Gonzalo Fuentes

A Liga Nacional de Rugby (LNR) da França lançou nesta quinta-feira (27) uma campanha para combater a homofobia, a primeira organizada por um esporte com forte estereótipo de virilidade e no qual, até agora, apenas um jogador de renome, o galês Gareth Thomas, assumiu sua homossexualidade, há dez anos.

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Para essa campanha, a LNR se associou à revista Têtu, especializada em notícias ligadas à comunidade LGBT. Juntas, elas decidiram enfrentar a homofobia que, "como na sociedade ", inevitavelmente existe no mundo do rugby profissional, reconheceu o presidente da LNR, Paul Goze, durante uma entrevista à imprensa francesa.

"O esporte não está fora da sociedade, então esse é um assunto que nos preocupa. O rugby é a aceitação da diferença, está no DNA desse esporte, onde cada equipe é composta por jogadores com perfis diferentes. É um esporte particularmente adequado para falar sobre a diversidade ", disse Paul Goze.

Falta de debate

Um estudo realizado pela empresa Oliver Wyman com aproximadamente 380 jogadores e jogadoras profissionais mostra que quase 75% acham difícil falar sobre homossexualidade no meio esportivo do rugby.

"Isso mostra que há um trabalho a ser feito", reconheceu Yannick Nyanga, ex-diretor esportivo do Racing 92, o “padrinho” da campanha, juntamente com Yoann Maestri, jogador do Stade Français.

Gareth Thomas, que jogou três temporadas em Toulouse (2004-2007), somente declarou sua homossexualidade em 2009, já no fim de sua carreira, em sua autobiografia. "O rugby é um ambiente assustador para um homem gay", disse o atleta.

Para os organizadores da campanha, trazer esse assunto à tona é uma forma de banalizar a orientação sexual nos estádios, ou seja, “que todo mundo se sinta livre para fazer o que quiser". Esse é o objetivo dessa iniciativa, resumiu Nyanga, lembrando que em sua carreira "ouviu palavras que podem ter atacado" homossexuais.

Ações fora do campo

A ideia é que profissionais da revista Têtu organizem workshops com os 30 clubes do Top 14 e Pro D2, incluindo jogadores dos centros de formação, presidentes de clubes e treinadores. Um dia do campeonato também será dedicado à luta contra a homofobia, em maio.

A campanha contra a homofobia foi lançada apenas um mês após a chegada na França de Israel Folau, dos Dragões Catalães de Perpignan, um jogador demitido pela federação australiana por ter feito comentários homofóbicos.

"Conversamos muito sobre Israel Folau. Porém, nos lembramos das palavras de David Pocock, um jogador muito mais importante que Folau na história do rugby australiano", disse Yoann Maestri. O ex-atleta australiano é um defensor da causa homossexual, a ponto de, em 2010, ter interrompido o seu casamento, recusando-se a assinar os documentos, até que esse tipo de união fosse aceito para todos em seu país.

Questionado sobre a possibilidade de interromper as partidas em caso de insultos homofóbicos nas arquibancadas de um estádio, como foi feito no caso do futebol na França, Paul Goze não se mostrou favorável. "Sou relativamente contra. Temos a possibilidade de sancionar os clubes" se isso acontecer, afirmou.

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