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Sangue de verme marinho pode ajudar no tratamento de pacientes com coronavírus

A hemoglobina da Arenicola marinha é utilizada em uma solução que pode ajudar no tratamento de pacientes contaminados pela Covid-19.
A hemoglobina da Arenicola marinha é utilizada em uma solução que pode ajudar no tratamento de pacientes contaminados pela Covid-19. FRED TANNEAU / AFP

Uma solução derivada do sangue de um verme marinho será testada em alguns doentes contaminados com a Covid-19 na França. Chamado de HEMO2life, o produto já é utilizado na oxigenação de órgãos para transplantes e em pacientes com hipoxia cerebral.

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"Esperamos em breve a decisão do Comitê de Proteção dos Pacientes, sabendo que a Agência Nacional de Segurança do Medicamento já aprovou o teste", indicou o biológo marinho Franck Zal, da empresa francesa Hemarina, que desenvolveu o HEMO2life.

A solução, se aprovada pela Agência Nacional de Segurança do Medicamento da França, será destinada a pacientes contaminados pela Covid-19 que sofrem de Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda. A substância é produzida a partir do sangue da Arenicola marinha, um anelídeo que mede entre 10 cm e 15 cm. A hemoglobina deste verme é capaz de carregar 40 vezes mais oxigêneo que a hemoglobina humana.

"O objetivo é usar essa solução como uma espécie de respirador molecular antes que os pacientes entrem em um processo de reanimação intenso", afirma o biólogo francês, lembrando da atual falta de respiradores artificiais nos hospitais franceses.

Transplante de órgãos

O HEMO2life já é utilizado nos Estados Unidos para pessoas que sofrem de hipoxia cerebral, ou seja, a insuficiência no fornecimento de oxigênio para o cérebro. Na França, a substância foi aprovada para ser adicionada em soluções que preservam órgãos que serão transplantados. O objetivo é prolongar sua conservação de algumas horas a vários dias, além de acelerar o retorno ao funcionamento do órgão após o transplante.

Diante da Covid-19, contra a qual nenhum tratamento demonstrou eficácia total até agora, a única opção dos médicos é utilizar respiradores artificiais nos pacientes que sofrem de Síndrome de Dificuldade Respiratória Aguda. Caso a proposta da empresa Hemarina for aprovada, ela poderá permitir uma melhor oxigenação dos infectados pelo coronavírus, evitando que os problemas respiratórios se agravem.

O cirurgião plástico Laurent Lantieri é um dos pioneiros na França na utilização do HEMO2life, inclusive no primeiro transplante de face, em 2018. Defensor desta nova biotecnologia, ele fez um apelo ao Ministério da Saúde para que aprove o método para tratar os contaminados pelo coronavírus.

"O transportador de oxigênio inventado por Franck Zal pode evitar a entubação dos pacientes hospitalizados", afirmou Lantieri, chefe do Departamento de Cirurgia Reconstrutiva do Hospital Georges Pompidou, em Paris.

Etapas para aprovação contra a Covid-19

O laboratório de biotecnologia Hemarina aguarda a autorização da Agência Nacional de Segurança do Medicamento da França para poder fornecer aos hospitais que tratam de infectados pelo coronavírus. Enquanto isso, o biólogo marinho se prepara para enviar aos hospitais parisienses Georges Pompidou e Pitié-Salpêtrière, onde ocorrerão os primeiros teste com o HEMO2life.

"Atualmente estamos afinando o protocolo com os médicos que trabalham nas UTIs e com especialistas em farmacologia. Estou em contato com eles várias vezes por dia para responder suas perguntas. É necessário determinar a dose correta que se deve administrar e que tipo de paciente receberá o tratamento", declarou Zal ao canal de TV France 3.

Sua empresa, que produz por conta própria as Arenicolas marinhas, conta com 5 mil doses da solução para serem utilizadas de imediato. Segundo Zal, a Hemarina também tem capacidade de disponibilizar outras 15 mil doses rapidamente.

 

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