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Eleições na França: coronavírus aumenta preocupação com limpeza e segurança em Paris

Rachida Dati, Anne Hidalgo e Agnès Buzyn realizaram um debate em 17 de junho, para o segundo turno das eleições municipais em Paris.
Rachida Dati, Anne Hidalgo e Agnès Buzyn realizaram um debate em 17 de junho, para o segundo turno das eleições municipais em Paris. © Thomas SAMSON / AFP

O segundo turno das eleições municipais francesas acontece neste domingo (28), nas maiores metrópoles do país. O primeiro turno ocorreu na véspera de a França entrar em quarentena contra o coronavírus, em 15 de março. O impacto da pandemia na votação é incerto, mas uma pesquisa indica que a limpeza urbana e a segurança pública ganharam pontos nas prioridades dos eleitores em Paris.

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Analistas consideram que, com o confinamento que se prolongou por dois meses no país, os parisienses passaram a dar mais atenção a aspectos diretamente ligados à vida cotidiana. A limpeza cresceu 3 pontos em relação a janeiro e é apontada como a prioridade número 1 por 74% dos entrevistados da pesquisa do instituto Ifop, publicada em 7 de junho. A segurança pública aparece em segundo lugar, escolhida por 71% dos eleitores (alta de 4 pontos) e o combate à poluição, em terceiro, citada por 65% dos sondados.

Quem ganha com esse cenário é a candidata da direita, Rachida Dati (Os Republicanos), que escolheu esses dois temas como os carros-chefes da sua campanha contra a atual prefeita, a socialista Anne Hidalgo. Concorre também a centrista Agnès Buzyn (LREM, partido do presidente Emmanuel Macron), mas a campanha foi marcada por um típico embate esquerda x direita. As pesquisas indicam que, salvo reviravolta de última hora, Hidalgo deve se reeleger com folga, com cerca de 44% dos votos, contra 33% para Dati e 20% para Buzyn.

“Paris conta com 5 milhões de ratos, o dobro da sua população!”, denuncia a conservadora, ex-ministra da Justiça de Nicolas Sarkozy e atual subprefeita do chique 7º distrito da capital. Dati promete uma verdadeira revolução para acabar com os roedores e melhorar o aspecto das ruas de Paris, com o uso até de drones para detectar lixo e a privatização “total" do serviço de coleta.

O primeiro turno das eleições municipais francesas, disputado em 15 de março no auge da pandemia de Covid-19, foi marcado por uma abstenção histórica .
O primeiro turno das eleições municipais francesas, disputado em 15 de março no auge da pandemia de Covid-19, foi marcado por uma abstenção histórica . AP - Jean-Francois Badias

Brigadas voluntárias para combater ratos

Faz tempo que o tema é polêmico na França – o assunto é considerado uma preocupação “burguesa" pela esquerda, enquanto faltam verbas para melhorar as condições de vida nos bairros mais carentes e ampliar o acesso a uma habitação digna para todos. Até o controle da população de ratos se tornou alvo de embates ideológicos. De um lado, Hidalgo sofre pressões de organizações ambientalistas para parar com o “raticídio" na cidade. Do outro, moradores de bairros nobres acusam a prefeitura de negligência sanitária e fazem alarde com iniciativas individuais para combater o problema. É o que acontece no 17º distrito, onde o subprefeito conservador organizou brigadas para localizar e exterminar os ratos.

Apoiada no segundo turno pelos Verdes, que devem garantir sua vitória, a prefeita socialista prefere enfatizar a política ambiental municipal, com medidas como a valorização do lixo na estratégia para o controle de roedores e melhora da limpeza. Também ressalta o combate à poluição, graças à ampliação em 100 quilômetros da rede de ciclovias e vias pedestres na capital, além da redução dos limites de velocidade em certas zonas.

Reviravolta é improvável

O cientista político Bruno Cautrès, do Centro de Estudos Políticos da Sciences Po (Cevipof), avalia que a quarentena favoreceu, inegavelmente, a atual prefeita, que teve uma atuação de destaque durante esta crise inédita. “Podemos ter um eleitorado de centro-direita um pouco perdido, que pode se deixar seduzir pela ideia de ‘tudo, menos Hidalgo’. Mas isso não será suficiente para inverter o jogo”, afirma o especialista em comportamento eleitoral, à RFI. “Para isso acontecer, seria necessário um acordo formal dos programas entre os dois grupos políticos [de direita e de centro]”, analisa.

Outro ponto de tensão é a segurança. A crise dos coletes amarelos, iniciada em novembro de 2018, transformou as ruas de Paris em palco de guerrilha por meses, nos finais de semana. A série de quebra-quebra, somada ao aumento de 25% da criminalidade na cidade, deixou os eleitores de direita exasperados. Em resposta, a candidata conservadora a prometer a criação de uma polícia municipal armada e um aumento da vigilância urbana por câmeras.

Hidalgo reforça política de esquerda

Em seu favor, Hidalgo tem a forte atuação social durante a pandemia: a prefeita participou pessoalmente da distribuição de alimentos para famílias carentes, viabilizou máscaras gratuitas para todos os parisienses e conseguiu fazer com que as creches e escolas municipais permanecessem abertas para atender aos trabalhadores de setores essenciais, em meio à quarentena.

Em seu programa de governo, ela planeja acentuar o viés ecológico da gestão, com o desenvolvimento do sistema de transportes limpos, a abertura de quatro “florestas urbanas”, um plano de estímulo à otimização energética e térmica nas residências e o uso de 100% de alimentos orgânicos e produzidos na região nas cantinas escolares.

Resta saber qual será a taxa de participação no segundo turno, marcado, mais uma vez, por medidas rígidas de proteção sanitária contra o coronavírus. Os estudos realizados até agora sobre o impacto da realização do primeiro turno no número de mortes, em plena pandemia, são inconclusivos.

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