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Socialista Anne Hidalgo é reeleita à prefeitura de Paris com cerca de 50% dos votos

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, apresentou ao Journal du Dimanche uma série de medidas que serão aplicadas na capital francesa a partir de 11 de maio para combater a epidemia de coronavírus.
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, apresentou ao Journal du Dimanche uma série de medidas que serão aplicadas na capital francesa a partir de 11 de maio para combater a epidemia de coronavírus. AFP - LUDOVIC MARIN

A prefeita do Partido Socialista, Anne Hidalgo, venceu as eleições municipais em Paris neste domingo (28), obtendo entre 49,3% e 50,2% dos votos no segundo turno, segundo dois institutos de pesquisa independentes. O partido do presidente francês, Emmanuel Macron, sai como o grande derrotado deste pleito, perdendo as eleições em cidades-chave para os ecologistas.

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Em Paris, Hidalgo venceu as candidatas do partido conservador Os Republicanos, Rachida Dati (entre 32 e 32,7%), e do partido presidencial, A República em Marcha, Agnès Buzyn (entre 13,7 e 16% dos votos), segundo os institutos Harris Interactive e Ipsos-Sopra Ste.

A participação no segundo turno das eleições municipais neste domingo diminuiu ainda mais em comparação com a taxa histórica de abstenção registrada no primeiro turno em 15 de março, marcado pela epidemia da Covid-19, de acordo com os primeiros números divulgados. Até as 17h (meio-dia de Brasília), a participação era considerada reduzida em relação ao 1ª turno, com apenas 34,67% de comparecimento nas urnas.

O risco de uma abstenção maciça dos 16,5 milhões de eleitores convocados para os cerca de 4.820 municípios que elegem seus representantes neste domingo foi uma das principais questões desta eleição, enquanto menos de um em cada dois eleitores - 44, 3%, comparado a 63,5% em 2014 - foi votar no 1º turno, devido ao risco de contaminação com o coronavírus, na véspera da instauração da quarentena obrigatória na França.

Este segundo turno foi organizado com precauções de saúde excepcionais devido à pandemia: uso de máscara obrigatória nas mesas de voto, gel hidroalcoólico e prioridade para as pessoas vulneráveis ​​na fila.

As eleições municipais são realizadas às vésperas de uma semana crucial para o presidente francês Emmanuel Macron, que votou ao meio-dia na França) em Le Touquet, no norte do pais, antes de encontrar uma pequena multidão, sem máscara. Essas eleições municipais são um termômetro importante para Macron.

O chefe de Estado pode, nos próximos dias, ter que realizar uma remodelação e especificar sua intenção declarada de "se reinventar" nos últimos dois anos de seu mandato, de olho na reeleição. Na segunda-feira, ele recebe membros da Convenção do Clima para Cidadãos no Palácio do Eliseu, aqui em Paris.

Adiamento e abstenção histórica

O segundo turno das municipais francesas, previsto inicialmente para 22 de março, teve que ser adiado por causa do confinamento e acontece mais de três meses e meio após a primeira votação.

A eleição, que não é eletrônica, foi marcada por medidas rígidas de proteção sanitária. O uso de máscara foi obrigatório para mesários e eleitores, álcool em gel na entrada, apenas três eleitores de cada vez nas sessões e prioridade às pessoas que pertencem a grupos de risco.

O primeiro turno foi marcado pela abstenção histórica de 55,34% dos eleitores, quase 20 pontos a mais que em 2014. E ao contrário do que se poderia imaginar, não foram os idosos, os eleitores mais vulneráveis que boicotaram as urnas com medo do coronavírus, e sim os jovens, o que tem sido uma constante nas últimas décadas na França. 

Partido de Macron é grande derrotado das municipais

O partido do presidente francês, Emmanuel Macron, sofreu neste domingo (28) uma dura derrota nas eleições municipais, marcadas pelo avanço dos ecologistas, segundo as primeiras estimativas.

 Os Verdes, que avançam com força no tabuleiro político francês há algumas eleições, venceram em várias cidades francesas, como Lyon (centro-este) e Bordeaux (centro-oeste), impulsionados pela crescente conscientização sobre os problemas ambientais.

 O República em Marcha (LREM), partido do governo, perdeu em todas as grandes cidades francesas. Em Paris, sua candidata, Agnès Buzyn, ex-ministra da Saúde, ficou em terceiro, com 14% a 16% dos votos, atrás da socialista Anne Hidalgo (50,2%) e da conservadora Rachida Dati (32%), segundo as primeiras estimativas.

Se as estimativas se confirmarem, a socialista Hidalgo, de 61 anos, aliada dos ecologistas, terá durante mais seis anos a chave da prefeitura de Paris, com mais de 2 milhões de habitantes, epicentro do poder na França e uma das cidades mais visitadas do mundo.

Seu programa, centrado na ecologia, busca seguir reduzindo o lugar dos carros na cidade, onde os engarrafamentos são a regra, e potencializar os deslocamentos em bicicleta ou a pé.

 O primeiro-ministro, Edouard Philippe, cuja popularidade disparou pela gestão da pandemia do novo coronavírus, salvou, em parte, a honra do governo, ao conseguir a prefeitura da cidade portuária de Le Havre (oeste), seu reduto eleitoral.

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