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França/Chile

Justiça francesa julga crimes da ditadura chilena

AFP PHOTO / MIGUEL MEDINA

A justiça francesa começou nesta quarta-feira a julgar um processo inédito contra a ditadura chilena em Paris. 14 integrantes da ex-junta militar serão julgados à revelia pelo desaparecimento de 4 franceses durante o regime militar de Augusto Pinochet.

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É um processo de valor simbólico. Os 13 militares chilenos e um argentino ausentes ao julgamento são acusados de participação no desaparecimento de quatro franceses opositores à ditadura de Augusto Pinochet: Georges Klein, assessor do presidente Salvador Allende, Etienne Pesle, Alphonse Chanfreau e Jean Yves Claudet combateram o regime militar. Eles desapareceram entre setembro de 1973 e novembro de 1975.

As famílias dos franceses desaparecidos estão presentes no tribunal e disseram esperar por justiça após três décadas. "Os corpos nunca foram encontrados, as famílias nunca puderam sepultá-los. Esse processo é uma maneira de acompanhá-los a uma sepultura simbólica", disse Sophie Thonon, advogada de uma das famílias.

Mesmo ausentes, os 14 acusados vão responder pelos crimes de detenção ilegal, sequestro arbitrário seguido de tortura e atos de barbárie. Se forem considerados culpados pelos crimes, eles podem ser condenados à prisão perpétua.

Um dos principais suspeitos do desaparecimento dos franceses é Manuel Contreras, ex-chefe da polícia secreta do regime Pinochet. Todos os acusados estão vivos, têm idades entre 61 e 89 anos e endereço conhecido, mas ficaram livres do julgamento em Paris porque o Chile não aceita pedidos de extradição.  Os advogados das famílias, porém, afirmam que caso haja uma condenação ela não será em vão, já que, se forem condenados, os acusados poderão ser presos caso deixem o território chileno. 

As audiências do processo no tribunal de Paris vão até o dia 17 de dezembro e serão filmadas por causa do seu "valor histórico".  Cerca de 30 testemunhas serão ouvidas.

 

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