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Imigração

França e Itália travam "guerra" para conter imigrantes do norte da África

Os ministros Roberto Maroni (à esq.) e Claude Guéant durante entrevista coletiva nesta sexta-feira em Milão.
Os ministros Roberto Maroni (à esq.) e Claude Guéant durante entrevista coletiva nesta sexta-feira em Milão. Reuters/Alessandro Garofalo

Os ministros do Interior da França, Claude Guéant, e da Itália, Roberto Maroni, se reuniram nesta sexta-feira em Milão e anunciaram um acordo para conter o fluxo de imigrantes vindos do norte da África, principalmente tunisianos, que desembarcam na ilha de Lampedusa, porta de entrada da Europa. Paris e Roma vão realizar patrulhas conjuntas no litoral tunisiano.

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A revolta popular nos países árabes e no norte da África gerou um fluxo migratório excepcional que está colocando os países europeus em pé de guerra. O governo da Itália anunciou na quinta-feira que vai oferecer vistos provisórios para os imigrantes poderem circular por todo o espaço Schengen, que reúne um grupo de países que permitem a livre circulação de pessoas. O objetivo da Itália é distruibuir o fluxo imigratório para seus vizinhos. O ministro francês reagiu dizendo que iria expulsar para a Itália os imigrantes que tiverem transitado pelo território italiano antes de chegar à França.

Em Milão, Guéant e Maroni tentaram disfarçar o clima de tensão. O francês afirmou que a convenção de Schengen será estritamente aplicada, sublinhando que somente os imigrantes com documentos e recursos suficientes serão admitidos no território francês.

A Itália acusa a França de fechar suas fronteiras a esses imigrantes. Segundo o ministro italiano Maroni, desde a queda do ditador Ben Ali, da Tunísia, em meados de janeiro, mais de 25 mil clandestinos do norte da África desembarcaram na Itália. Temendo uma invasão de tunisianos na França, ex-colônia francesa, Guéant declarou que o governo Sarkozy vai restringir ainda mais seu programa de reagrupamento familiar e limitar o número de vistos de trabalho concedidos a estrangeiros.

A imprensa italiana critica a posição do governo francês com manchetes ácidas nos jornais desta sexta-feira. "Guerra entre Paris e Roma", "Liberdade sem Fraternidade", "Imigrantes: Sarkozy entra em guerra contra a Itália" são alguns dos títulos estampados nos principais jornais italianos.

Na França, as declarações do ministro do Interior são interpretadas pela imprensa local como uma manobra eleitoreira de Sarkozy, visando atrair eleitores de extrema direita a votar em seu partido nas presidenciais de 2012.

O projeto de reduzir a entrada de estrangeiros cria tensões internas na maioria presidencial. Nesta sexta-feira, a ministra da Economia, Christine Lagarde, e o secretário-geral da UMP, Jean-François Copé, afirmaram que a França precisa de imigrantes para trabalhar em setores em que já existe carência de mão-de-obra qualificada. Os dois defendem a continuidade da política atual, com uma imigração controlada e voltada à satisfação das necessidades econômicas do país. Lagarde e Copé concordam que a imigração clandestina não é boa para a França.

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