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AF 447/ investigações

Pilotos realizam simulação de voo em condições semelhantes ao AF 447

Na última coletiva do BEA (Birô de Investigações e Análises), em maio, escritório apresentou as caixas-pretas do avião acidentado no Atlântico.
Na última coletiva do BEA (Birô de Investigações e Análises), em maio, escritório apresentou as caixas-pretas do avião acidentado no Atlântico. T.Stivanin

Na véspera da divulgação do terceiro relatório oficial sobre o acidente com o voo AF 447, entre Rio de Janeiro e Paris, dois pilotos franceses repetiram em um simulador de voo os quatro minutos anteriores ao choque do aparelho com o oceano Atlântico. O simulador foi programado para reproduzir as condições em que o Airbus A330 se encontrava, conforme descreve a BEA, a agência francesa encarregada das investigações do acidente.

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O teste foi realizado pela rádio pública France Info. Os dois especialistas, Frédéric Béniada e Gérard Feldzer, concluem que o controle do avião poderia, sem dúvida, ter sido recuperado, se os profissionais tivessem compreendido o que estava acontecendo. O problema é que, naquelas condições técnicas, eles teriam no máximo 40 segundos para reagir e conseguir evitar a tragédia. Mas quando os pilotos do AF 447 se deram conta da gravidade da situação, já era tarde demais.

Mesmo assim, os consultores que realizaram a simulação insistem que a indução ao erro foi uma consequência das informações contraditórias enviadas pelo Airbus A330, que entrou em pane após o congelamento das sondas externas que medem a velocidade. Ao se verem diante de um contratempo semelhante ao enfrentado pelos pilotos do AF447, os dois especialistas perceberam a que ponto a perda de parâmetros confiáveis de velocidade pode confundir os pilotos.

“Pode-se dizer que houve uma manobra errada, mas pudemos perfeitamente compreender por que esta manobra foi feita”, disse Béniada, referindo-se ao fato de os pilotos do vôo terem optado por empinar o bico do avião, ao invés de incliná-lo para baixo, como seria de praxe.

De um instante ao outro, os alarmes de estol ou perda de sustentação, que podem significar a queda do aparelho, começam a apitar, causando um estresse considerável na cabine de pilotagem.

"Houve falsas informações, com alarmes extremamente perturbadores. Quando ouvimos "perda de sustentação! estol! estol! estol", é muito perturbador e muito traumatizante”, afirmou Feldzer, que é ex-piloto. “Depois de um certo tempo, eles não compreenderam o que estava acontecendo. Tanto é que eles dizem "não temos informações, temos apenas informações falsas!"

Conforme Béniada e Feldzer, uma das consequências do acidente com o voo AF447 será a revisão da interação entre o homem e a máquina na aviação: hoje em dia, as aeronaves são tão automáticas que acabam impedindo que os pilotos tomem determinadas atitudes quando enfrentam situações de urgência.

O BEA convocou uma coletiva de imprensa para esta sexta-feira, na qual vai apresentar as primeiras conclusões oficiais sobre as causas da tragédia, depois que as caixas-pretas do avião foram localizadas. Os gravadores dos parâmetros de voo e das conversas entre a tripulação foram encontrados a quase 4 mil metros de profundidade no oceano, após dois anos do acidente.
 

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