Acessar o conteúdo principal
AF447/Acidente

Novo relatório da BEA aponta erro de pilotos na queda do voo AF447

Peça do Airbus durante primeiras operações de resgate.
Peça do Airbus durante primeiras operações de resgate. Reuters / Alexandre Severo

O terceiro relatório oficial divulgado nesta sexta-feira pelo Escritório de Investigações e Análises, o BEA, que apura as causas do acidente com o voo AF 447, indica que a tragédia ocorreu após uma série de manobras erradas tomadas pela tripulação. O documento deixa claro que os pilotos não compreenderam que o Airbus A330 estava caindo, e também subestimaram o alarme de perda de sustentação de voo (Estol), que indica que a aeronave está prestes a cair.

Publicidade

A partir da análise completa dos dados gravados nas caixas-pretas do Airbus da Air France, o terceiro relatório confirmou que o acidente foi iniciado pelo congelamento das sondas que medem a velocidade do avião, as sondas pitot, o que gerou a perda de parâmetros essenciais para o controle do aparelho. Mas depois que perceberam que havia uma pane, os pilotos da aeronave tomaram a decisão de empinar o aparelho, quando deveriam ter mantido a altitude em que se encontravam. O avião subiu até 37.500 pés, uma altitude que nunca deveria ter sido atingida, porque o risco do avião perder a sustentação e cair é alto demais.

A Air France rebateu as conclusões do BEA. Em um comunicado, a companhia estima que nenhum elemento revelado pelo órgão francês permite colocar em dúvida a competência da tripulação a bordo do AF447. Temendo as consequências econômicas do relatório, a Air France questiona a fiabilidade do alarme Estol, da Airbus. Na avaliação da companhia, o alarme teria tocado e parado de tocar várias vezes, prejudicando a análise dos pilotos sobre o procedimento correto a adotar durante o incidente.

A pane na velocidade durou 29 segundos, conforme o BEA, que ainda aponta dez recomendações para melhorar a segurança na aviação, entre elas o aprimoramento do treinamento dos pilotos para situações em que o piloto automático é desligado, como foi o caso do AF447. O órgão francês ainda sugere que seja colocada em prática uma melhor divisão das tarefas entre a tripulação.

O relatório também confirmou que, nos instantes anteriores à tragédia, era o copiloto menos experiente dos três que comandava a aeronave, depois que o comandante de bordo saiu da cabine para descansar, um procedimento normal e permitido na aviação.

O BEA publicará um relatório final sobre a tragédia provavelmente no primeiro semestre de 2012, quando a justiça farncesa também divulgará sua decisão no inquérito que investiga responsabilidades no acidente. Tanto a Airbus como a Air France foram denunciadas por homicídio involuntário.

Ouça reportagem de Ana Carolina Peliz, em Le Bourget, sede do BEA, na seção +RFI

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.