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França/Entrevista

"França defende intervenção na Síria se regime usar armas químicas", diz Hollande

François Hollande durante entrevista à RFI, France 24 e TV 5 Monde, nesta sexta-feira, 31 de maio.
François Hollande durante entrevista à RFI, France 24 e TV 5 Monde, nesta sexta-feira, 31 de maio. RFI / Romu Meigneux

Em entrevista exclusiva para a RFI, France 24 e TV 5 Monde, o presidente francês, François Hollande, afirmou ser favorável a uma intervenção militar na Síria se ficar comprovado o uso de armas químicas pelo regime de Bashar Al-Assad. Na entrevista, Hollande também confirmou que a França continua sob ameaça terrorista.

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“Esta é uma das questões que justificam uma intervenção”, afirmou Hollande quando questionado sobre o uso de armas químicas pelo regime de Damasco. “Todas as provas devem ser exibidas e pedi, em nome da França, que haja um controle sobre a utilização dessas armas químicas”, afirmou. “Por enquanto as autoridades do regime se recusam”, completou.

O presidente francês também considera inaceitável que o governo russo envie armas ao regime de Al-Assad no momento em que se prepara a Conferência sobre a Síria. Hollande justificou mais uma vez sua defesa pelo fim parcial do embargo de armas para ajudar a oposição síria, como anunciado pela União Europeia no início da semana.

O presidente francês, no entanto, disse que a experiência da Líbia mostra que é preciso que a eventual entrega de armas seja feita obedecendo vários critérios. “A primeira condição é a de que não caiam nas mãos de grupos que possam se voltar contra nós”, disse.

Outra condição exigida por Hollande é de que a oposição síria esteja unida e dê garantias de que as armas não sejam usadas por extremistas. O presidente francês vinculou o sucesso da Conferência sobre a Síria, programada no início de junho, em Genebra, a uma saída de Bashar Al-Assad do poder.

Segundo ele, o evento é para discutir o futuro do país sem Al-Assad e não para falar sobre as eleições presidenciais do ano que vem. O atual líder já indicou querer ser candidato. “Se a Conferência for realizada é para discutir uma transição sem Al-Assad. Senão, como a oposição pode aceitar o processo dessa conferência ?” questionou Hollande.

“Vamos fazer de tudo para que a Conferência de Genebra seja um sucesso. Paralelamente vamos continuar a fazer uma maior pressão militar. Mas atualmente a solução tem que ser política”, afirmou
 

Terrorismo

Na entrevista exclusiva, o presidente François Hollande confirmou que o país está sob ameaça terrorista devido às intervenções da França no Mali, e às crises que atingem a África, a Líbia e até a Síria. O chefe de estado francês também comentou que o país enfrenta um terrorismo interno.

“Há uma ameaça que vem do exterior”, estima François Hollande em relação à ameaça terrorista sobre o país. Segundo o presidente, o risco está relacionado com os conflitos que atingem diversos países, incluindo a região do Sahel, no norte da África, onde tropas francesas enfrentam o terrorismo islâmico. Hollande também vinculou diretamente as ameaças a “um terrorismo interno que não é novo”.

Em referência ao caso Merah, jovem morto em março de 2012 pela polícia em Toulouse após uma série de assassinatos visando militares franceses, o presidente afirmou não ter dúvidas de que ele tinha cúmplices. “Estamos tentando identificá-los”, disse Hollande.

O terrorismo foi um dos principais assuntos abordados por François Hollande na entrevista exclusiva dada no Palácio do Eliseu, em Paris. “Não descartamos nenhuma pista”, prometeu o presidente. “Um evento trágico aconteceu em Londres e não deve ser um caso isolado”, afirmou.

Apesar de não ver nenhum vínculo entre a agressão de um militar francês na noite de sábado por um islâmico radical com o caso de Londres, Hollande disse que “ficará atento para que todas as informações sejam analisadas”. “Toda vez que houver algum indício, toda vez que houver um determinado número de manifestações, de indivíduos suscetíveis a uma deriva terrorista, nós agiremos”, prometeu.

 

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