Acessar o conteúdo principal
França/Sarkoleaks

Casal Sarkozy procura Justiça para evitar novos vazamentos de gravações clandestinas

Ex-presidente da França Nicolas Sarkozy e sua mulher Carla Bruni, anunciaram que processarão "quem divulgar conversas gravadas".
Ex-presidente da França Nicolas Sarkozy e sua mulher Carla Bruni, anunciaram que processarão "quem divulgar conversas gravadas". Reuters/Gonzalo Fuentes/File

Nicolas Sarkozy e sua mulher, Carla Bruni, entrarão com processo por atentado contra a intimidade da vida privada, depois do vazamento de gravações feitas pelo conselheiro do ex-presidente Patrick Buisson, no palácio do Eliseu, em 2011. Conversas entre o então presidente, seus assessores mais próximos e sua mulher caíram nas mãos do jornal humorístico Le Canard Enchaîné e do site Atlantico

Publicidade

Ainda que elas não sejam muito comprometedoras, sabe-se que Buisson registrou dezenas, quiçá centenas de horas de conversas. Num dos diálogos, Sarkozy brinca sobre seu patrimônio com Carla Bruni. Em outros, comenta a atuação de ministros e da imprensa. Como não se sabe ao certo quem vazou o áudio e quantas horas existem, a ideia do casal Sarkozy é impedir que novas gravações venham a público. Por isso, a ação que não visa somente a captação e gravação dos diálogos, mas também sua divulgação.

"O senhor Nicolas Sarkozy e a senhora Carla Bruni-Sarkozy não podem aceitar que conversas mantidas a título privado sejam divulgadas sem seu consentimento", afirmaram em comunicado os advogados do casal, Thierry Herzog e Richard Malka. "A proteção do segredo de conversas privadas constitui um dos fundamentos de uma sociedade democrática". Na França, o crime de atentado contra a intimidade da vida privada é passível de um ano de prisão, além de uma multa de 45 mil euros.

Fonte anônima
Mas o advogado de Patrick Buisson nega, no entanto, que seu cliente é responsável pelo vazamento. Ele inclusive entrará com uma ação contra o responsável pelo "roubo" e "uso indevido" das gravações. Mas até agora, não existe um suspeito além de Buisson. "Quem tinha interesse agora, neste momento preciso, de trazer este registro a público?", perguntou o advogado, Gilles-William Goldanel. "Esse é uma questão que a Justiça responderá".

O filho único de Patrick Buisson, que está em conflito com o pai, disse em entrevista a edição desta quinta-feira (6) do vespertino Le Monde, que seu pai havia distribuído as gravações entre várias pessoas próximas, "principalmente, membros da família e antigos colaboradores". Georges Buisson diz ter ajudado Patrick a passar os arquivos do gravador para um HD, mas nega ser a "garganta profunda" do escândalo que já começa a ser chamado de "Sarkoleaks".

De acordo com Goldanel, Nicolas Sarkozy sempre soube que Buisson gravava as reuniões de trabalho. Em entrevista à rede de televisão Canal+, ele disse que alguns conselheiros tomavam notas, outros deixavam os celulares sobre a mesa e Patrick Buisson utilizava um gravador.

No último dia 12 de fevereiro, a revista semanal Le Point publicou que o antigo conselheiro havia gravado "horas e horas de reuniões estratégicas", principalmente durante a campanha presidencial de 2012, em que ele foi derrotado pelo atual presidente François Hollande. Mas esse seria o modus operandi do conselheiro, que sempre tinha um "gravador escondido no paletó". Na época, Buisson protestou contra as acusações.
 

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.