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França/Eleições

Hollande deverá acelerar reforma se PS for humilhado no 2° turno

Entrada de um dos locais de votação das eleições municipais francesas.
Entrada de um dos locais de votação das eleições municipais francesas. Wikimedia CC BY-SA 3.0/Forcalquier

Mais de 40 milhões de franceses voltam às urnas neste domingo (30) para o segundo turno das eleições municipais que se tornaram cruciais para o futuro do governo de François Hollande. Se confirmada a ampla derrota dos socialistas nas urnas, o que pode favorecer o crescimento da direita conservadora e da extrema-direita, o presidente será ainda mais pressionado para acelerar uma reforma de seu gabinete.

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A votação tem início às 8h00 na França e deve terminar entre 18h00 e 20h00, de acordo com o tamanho e o número de eleitores das cidades. Devido ao fuso horário, as primeiras sessões eleitorais serão abertas nos territórios ultramarinos franceses Nova Caledônia, Ilha da Reunião e Mayotte.

Desde a meia-noite de sexta-feira, os candidatos não podem mais fazer campanha, distribuir material de propaganda política nem enviar mensagens pela internet. No total, 6.455 municípios realizam o segundo turno, sendo que a maioria, 4.678, tem menos de 1.000 habitantes. Cinco municípios pequenos não tiveram candidatos registrados e ficarão sob a tutela de autoridades policiais.

Uma semana após uma derrota considerada severa, os socialistas se mobilizaram para tentar diminuir uma nova humilhação nas urnas. Uma das estratégias do partido foi apelar aos eleitores de esquerda a votar neste domingo. No primeiro turno, a taxa de abstenção foi de 38,72%, e o índice é maior entre os eleitores de esquerda do que os de direita, de acordo com sondagens.

A ausência dos eleitores favoreceu também o crescimento da Frente Nacional, partido de extrema-direita que pela primeira vez elegeu um prefeito no primeiro-turno, em Hénin-Beaumont, no norte do país.

Reforma ministerial em vista

Diante do fracasso do Partido Socialista nas urnas, cresceu a pressão para o presidente François Hollande promover uma ampla reforma na sua equipe, já que analistas consideram o resultado das urnas como uma sanção à atual política do governo.

Especialistas avaliam que Hollande teria interesse em anunciar o mais rápido possível, até o início da semana, uma mudança de seu gabinete para evitar a exposição pública de brigas internas entre os socialistas pela disputa do cargo do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, que está enfraquecido.

O ministro do Interior, Manuel Valls, é um dos nomes cotados para substituir Ayrault, mas outros caciques do Partido Socialista, como o chanceler Laurent Fabius, o prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, cujo mandato chegou ao fim, e presidente da Assembleia, Claude Bartolone, também são lembrados nesta disputa.

O presidente Hollande também precisa dar novo impulso à sua criticada política econômica que não vem dando resultados esperados, principalmente em relação ao combate ao desemprego. Durante a semana, a taxa de pessoas sem trabalho na França voltou a crescer, o que prejudicou ainda mais a já combalida campanha dos socialistas.

No início de abril, o chefe de Estado deve anunciar novas medidas para conseguir economizar 50 bilhões de euros nas despesas públicas até o final de seu governo, que termina em 2017.

Expectativas da direita e extrema-direita

No domingo, uma atenção particular será dedicada a algumas grandes cidades francesas dirigidas pelos socialistas, mas que poderão passar à direita como Estrasburgo, Toulouse, Reims, Metz e Saint-Etienne. Em Paris, a maior vitrine do PS, o duelo entre a socialista Anne Hidalgo e a conservadora Nathalie Kosciusko-Morizet se tornou incerto após a vitória do partido UMP na maior parte dos distritos da capital no primeiro-turno.

Os diversos partidos da direita tradicional (UMP, UDI, entre outros) são favoritos e podem recuperar boa parte dos municípios que perderam nas últimas eleições, em 2008, quando foram derrotados em 90 cidades com mais de 10 mil habitantes que comandavam.

No caso da extrema-direita, após a vitória de Steeve Briois em Hénin-Beaumont, no primeiro turno, a Frente Nacional pretende conquistar também as prefeituras de Fréjus e Béziers, onde os candidatos do partido estão à frente de seus adversários.

A Frente Nacional, que venceu o primeiro-turno em 21 cidades, está presente na disputa pelo controle de 328 municípios franceses. Entre as cidades que o partido pretende sair vitorioso está Avignon, no sul da França, conhecida por acolher um dos maiores festivais de teatro da Europa. Caso o FN sai vencedor das urnas, o diretor do Festival de Avignon prometeu levar o evento para outra cidade.
 

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