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França/ Síria

Jornalistas libertados relatam ter ficado 10 meses sem ver o sol

Didier François conta sobre o sequestro, ao lado de Edouard Elias (esq.), Nicolas Hénin e Pierre Torres
Didier François conta sobre o sequestro, ao lado de Edouard Elias (esq.), Nicolas Hénin e Pierre Torres REUTERS/Gonzalo Fuentes

Os quatro jornalistas franceses sequestrados em junho de 2013 na Síria e libertados neste sábado (19) chegaram hoje (20) a Paris, onde foram recebidos pelo presidente François Hollande. Eles relataram ter enfrentado situações “às vezes violentas” e vivido trancados em subsolos durante os 10 meses de cativeiro.

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Edouard Elias, Didier François, Nicolas Hénin e Pierre Torres foram deixados por homens não identificados durante a noite de sexta-feira na fronteira entre Síria e Turquia. Os quatro foram encontrados pelo exército turco perto de Akçakale, segundo a agência de notícias turca Dogan.

Hoje, na chegada ao aeroporto de Villacoublay, cumprimentaram Hollande e o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, antes de abraçarem os familiares. Magros, mas sorridentes, os ex-reféns chegaram de helicóptero depois de desembarcar na base aérea de Evreux, na Normandia, onde pousou o avião que lhes trouxera da Turquia, no início da manhã.

“Foi demorado, mas jamais duvidamos que seríamos soltos”, declarou o repórter Didier François, da emissora da rádio Europe 1. “De vez em quando, a gente recebia sinais. A gente sabia que todo mundo estava mobilizado. Temos sorte de sermos franceses”, disse, emocionado. François, o jornalista mais experiente do grupo, relatou que os quatro ficaram “10 meses completos sem ver a luz do dia e um mês e meio acorrentados uns aos outros”.

Nicolas Hénin explicou que os reféns ficaram “afundados no caos sírio, com tudo que isso que quer dizer”. “Nem sempre foi fácil”, disse, com a voz embargada. Hénin tentou escapar uma vez do cativeiro, correndo uma noite inteira nos campos sírios antes de ser capturado novamente pelos sequestradores. “No total, troquei de cativeiro umas 10 vezes, e na maioria do tempo estive com outras pessoas”, contou.

Hollande nega pagamento de resgate

“A França está orgulhosa de ter conseguido a liberdade deles”, disse o presidente. “Mas ainda há reféns na Síria, detidos apenas porque são jornalistas”, observou. Por enquanto, detalhes sobre a soltura dos repórteres não foram divulgados, mas Hollande garantiu que nenhum resgate foi pago aos sequestradores.

Após as breves declarações, os quatro jornalistas se dirigiram a uma sala privativa e depois foram levados para o hospital militar de Val de Grace para a realização de uma série de exames médicos. Ontem, Hollande havia afirmado que os reféns estavam "bem de saúde, apesar das condições extenuantes do cativeiro".

Quando foram localizados por soldados turcos na fronteira, os quatro reféns franceses estavam com as mãos amarradas e os olhos vendados. Os militares pensaram que eles fossem contrabandistas, mas ao perceberem que os reféns falavam em francês, os levaram para a delegacia de Akçakale.

Outros jornalistas

Didier François, da rádio Europe 1, e o fotógrafo Edouard Elias foram sequestrados ao norte de Aleppo em junho de 2013. Nicolas Hénin, repórter da revista Le Point, e Pierre Torres, fotógrafo independente, foram capturados duas semanas depois, em 22 de junho, em Raqa.

Desde o início da guerra entre o regime de Bashar al-Assad e os rebeldes em 2011, mais de 30 jornalistas estrangeiros foram sequestrados na Síria. A libertação dos franceses acontece após a soltura de vários jornalistas europeus que estavam sob poder do Estado Islâmico no Iraque e Levante (EIIL), o mais radical dos grupos jihadistas na Síria.

Alguns jornalistas continuam sequestrados no país, entre eles os americanos Austin Tice, desaparecido em agosto de 2012, e James Foley, desde novembro de 2012. A Síria passou a ser considerada o país mais perigoso do mundo para a imprensa, segundo várias organizações de defesa da liberdade de expressão.
 

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