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França/EUA/Análise

Por trás dos sorrisos, Hollande e Obama enfrentam clima de discórdia

François Hollande ( à esquerda) e Barack Obama participam de cerimônia no cemitério americano de Colleville-sur-Mer, na Normandia.
François Hollande ( à esquerda) e Barack Obama participam de cerimônia no cemitério americano de Colleville-sur-Mer, na Normandia. REUTERS/Pascal Rossignol

Por trás dos sorrisos e do discurso oficial de amizade entre a França e os Estados Unidos, os presidentes François Hollande e Barack Obama estão estremecidos devido a dois desentendimentos, um militar e outro bancário. O clima piorou nos últimos dias, em meio às comemorações dos 70 anos do desembarque das tropas aliadas na Normandia.

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Dois dossiês esfriaram nos últimos tempos as relações entre Paris e Washington: um contrato militar da França com a Rússia e o caso do banco francês BNP Paribas, ameaçado de pagar uma multa bilionária à justiça americana por ter desrespeitado o embargo americano ao Irã, ao Sudão e a Cuba. Os dois assuntos foram abordados no jantar que Hollande ofereceu na noite de quinta-feira (5) a Obama, em Paris.

Os Estados Unidos não gostaram que a França manteve a venda de navios militares Mistral à Rússia, no momento em que os ocidentais aplicam sanções contra Moscou devido à crise ucraniana. A França assinou esse contrato com a Rússia em 2011, muito antes da insurreição dos pró-russos na Crimeia. Os navios já foram praticamente pagos pela Rússia. A França alega que uma ruptura do contrato a essas alturas acarretaria prejuízos graves aos cofres públicos, que teriam de reembolsar a soma, além de provocar mais desemprego no país. Paris também afirma que, como fazem os americanos, os franceses costumam honrar seus contratos.

Multa bilionária

Outro motivo de discórdia entre Hollande e Obama é a multa bilionária que a justiça americana quer aplicar ao banco BNP Paribas pelo desrespeito a embargos dos Estados Unidos ao Irã, ao Sudão e a Cuba. O banco negocia para diminuir o valor inicial de US$ 10 bilhões, mas a agência Reuters revelou hoje que a multa pode subir para US$ 16 bilhões.

Hollande interveio em favor do banco. Enviou uma carta ao presidente americano no mês passado, alegando que o valor discutido é desproporcional. Esta semana, durante os encontros com Obama em Bruxelas e Paris, o socialista voltou à carga. Mas Obama esnobou o presidente francês e em duas entrevistas coletivas disse que não iria se meter num assunto da justiça americana.

De ontem para cá, o tom subiu do lado francês. O ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, afirmou hoje que se não houver um entendimento, as negociações sobre o tratado de livre comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos serão interrompidas.

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