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Sarkozy/França

Oito milhões de franceses acompanham a entrevista "de retorno" de Sarkozy

Ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, teceu duras críticas ao governo socialista e à extrema-direita francesa, em entrevista à rede de televisão France 2 neste domingo (21).
Ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, teceu duras críticas ao governo socialista e à extrema-direita francesa, em entrevista à rede de televisão France 2 neste domingo (21). REUTERS/Eric Gaillard

Oito milhões e meio de franceses assistiram neste domingo (21) à primeira entrevista do ex-presidente Nicolas Sarkozy, desde a derrota para o socialista François Hollande, em 2012. Depois de anunciar em uma mensagem no Facebook seu retorno à política na última sexta-feira, Sarkozy participou ontem de um jornal televisivo no horário nobre para explicar aos franceses por que decidiu voltar à vida política.

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O ex-presidente, que vai disputar a presidência do partido de direita União para um Movimento Popular (UMP) com o objetivo de ser o candidato da sigla nas eleições presidenciais de 2017, explicou que seu retorno não é apenas motivado por sua vontade. Para Sarkozy, não há escolha a não ser protagonizar uma volta à vida política diante da perfomance que classificou como “humilhante” do governo socialista de François Hollande e da perspectiva de vitória do partido de extrema-direita Frente Nacional (FN).

“Não quero que meu país seja condenado ao espetáculo humilhante que temos hoje e à perspectiva de um isolamento total que seria a política da Frente Nacional. Eu não tenho apenas vontade de voltar, mas eu não tenho outra escolha”, declarou.

Durante os 45 minutos de entrevista no canal France 2, o ex-presidente se apresentou como “uma alternativa” aos franceses. Para Sarkozy, as atuais linhas políticas da direita, esquerda, centro, ecologistas, liberais, “não fazem mais sentido”.

Indagado pelo jornalista Laurent Delahousse se os processos que correm contra ele na justiça não irão prejudicar seu retorno, o ex-presidente respondeu de forma agressiva. “Você acha que se eu tivesse alguma coisa que me condenasse, eu iria me expor e voltar à vida política hoje? Vamos supor que você não acredite em mim, você acha que eu tenho apenas dois neurônios na cabeça?”, disse.

“Se eu não tivesse voltado, diriam que é porque eu estava com medo. Mas eu não tenho medo”, finalizou o ex-presidente.

Resposta às críticas

Para os socialistas, Sarkozy concedeu a entrevista sob um “espírito de revanche”. “Ele volta com rancor e com desejo de vingança”, disse o primeiro secretário do Partido Socialista, Jean-Christophe Cambadélis, em entrevista à rádio francesa RTL nesta manhã. “Ele se apresentou como candidato à liderança da UMP e 48 horas depois já está falando das eleições presidenciais”, ironizou.

Já para o secretário de Estado para as Relações com o Parlamento, Jean-Marie Le Guen, a agressividade de Sarkozy pode afastar seu eleitorado. “Eu não acho que seu comportamento satisfaça aqueles que querem um debate político sereno em nosso país”, declarou.

Do outro lado do fronte, a presidente do FN, Marine Le Pen, foi mais crítica à entrevista do ex-presidente. Para o canal de televisão francês BFM TV, a líder da extrema-direita francesa avaliou que Sarkozy não mudou em nada: “nem suas idéias, nem a maneira como se apresenta, nem essa falsa ingenuidade”. “Ele continua o mesmo: melhor assim”, atacou.

Provocativa, Le Pen disse que não gosta da falta de modéstia, da falsidade e das técnicas de comunicação do ex-presidente. “Os franceses não querem ser liderados por um comunicador”, reiterou.

Recorde de audiência

A entrevista de Sarkozy bateu o recorde da emissora France 2 neste ano, com 32,6% da audiência às 20h15. Em julho deste ano, o canal TF1 obteve 41% da audiência (mais de 9 milhões de telespectadores) ao entrevistar o ex-presidente.

Já a coletiva de imprensa de François Hollande, transmitida pela France 2 na última quinta-feira, obteve 11,9% da audiência, o que corresponde a 1,4 milhões de telespectadores. Em sua aparição anterior, uma entrevista transmitida pela France 2 e pela TF1 no dia 14 de julho, mais de 7 milhões de franceses se reuniram diante de seus televisores.

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