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França/Fraudes

Jornal diz que 60 parlamentares franceses sonegam impostos

O presidente da Assembleia Nacional francesa, Claude Bartolone.
O presidente da Assembleia Nacional francesa, Claude Bartolone. REUTERS/Jacky Naegelen

O jornal semanal Le Canard Enchaîné revela em sua edição desta quarta-feira (22) que cerca de 60 deputados e senadores franceses estariam em situação irregular com o fisco. De acordo com o jornal, os problemas englobam desde contenciosos comuns, como o não pagamento dos impostos devidos e valor patrimonial subestimado, até a fraude descarada, passando pela "fobia administrativa", como ficou conhecida a "patologia" do deputado Thomas Thévenoud.

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A classe política francesa vive uma pequena revolução desde que o governo socialista do presidente François Hollande tornou obrigatória, em 2013, a declaração de patrimônio de ministros, assessores do governo e parlamentares. As declarações são recolhidas por um órgão criado por Hollande, a Alta Autoridade para a Transparência da Vida Pública (HATVP), que, em seguida, transmite os dados ao fisco.

Segundo Le Canard Enchaîné, analisando as declarações em detalhe, técnicos do fisco estabeleceram uma lista de 60 parlamentares em situação de sonegação fiscal. Eles teriam sido notificados para regularizar a situação. O jornal satírico destaca que, no final do processo, a lista deve encolher e ficar restrita a um pequeno número de casos.

O presidente da Assembleia Nacional, Claude Bartolone, afirmou desconhecer essa lista A Alta Autoridade para a Transparência da Vida Pública também negou conhecer o documento e ainda afirmou que esse tipo de denúncia "cria um clima de desconfiança nocivo" em relação aos políticos. O Ministério das Finanças não quis comentar o caso.

Precedente

Recentemente, os franceses ficaram escandalizados com a história de Thomas Thévenoud. Nomeado para o cargo de secretário de Estado do Comércio Exterior, Thévenoud foi demitido uma semana depois de assumir a função, quando veio à tona que ele não pagava seus impostos. O político, de 40 anos, alegou um problema crônico de "esquecimento". Quando a imprensa foi investigar os hábitos de Thévenoud, descobriu-se que ele não pagava contas em geral: aluguel, tratamento dentário, sessões de fisioterapia, restaurantes, entre outros "esquecimentos".

O caso virou piada na imprensa, mas o pior é que analistas convidados a opinar sobre o comportamento do político disseram que ele sofre de "fobia administrativa". Sob pressão dos contribuintes ditos "normais" e de uma parte da classe política, Thévenoud deixou o Partido Socialista, mas conservou seu mandato de deputado.

Amigo de Sarkozy indiciado

Ontem, a justiça francesa indiciou o deputado Patrick Balkany, do partido conservador UMP, por lavagem de dinheiro, fraude fiscal e corrupção. O deputado, que também acumula o cargo de prefeito de Levallois-Perret, município da região metropolitana de Paris, é um grande amigo do ex-presidente Nicolas Sarkozy.

Uma investigação estabeleceu que Balkany e sua esposa, indiciada anteriormente, organizaram um vasto esquema de evasão fiscal. O casal ostenta um padrão de vida considerado incompatível com um salário parlamentar. Além das festas faraônicas que costumam dar em casa, o sistema antifraudes Tracfin, do Ministério das Finanças, identificou depósitos não declarados do casal em Cingapura.

Um industrial relatou em depoimento que pagou, em 2009, uma comissão de US$ 5 milhões a Balkany pela mediação de um contrato na Namíbia. Na época, o país era governado por Sarkozy. 

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