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França/Política

Socialistas minimizam derrota para direita no 1° turno de eleição na França

O primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, e o ex-presidente Nicolas Sarkozy.
O primeiro-ministro socialista, Manuel Valls, e o ex-presidente Nicolas Sarkozy. REUTERS/Gonzalo Fuentes/ Philippe Wojazer

Os resultados do primeiro turno das eleições departamentais disputadas neste domingo (22) na França demonstram que a esquerda resistiu a um fiasco maior do que apontavam as pesquisas pré-eleitorais. O Partido Socialista (PS), do presidente François Hollande, espera conservar 20 departamentos, menos da metade do que tem hoje. A temida vitória da extrema-direita não se concretizou: a Frente Nacional (FN) teve votação menor que do que o previsto pelas sondagens.

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A coligação de centro-direita formada pelos partidos UMP-UDI, que aparecia em segundo lugar nas pesquisas, foi a grande vencedora do primeiro turno, com 29,4% dos votos. Os populistas da Frente Nacional (FN) conquistaram 25,19% dos votos, enquanto o PS e seus aliados obtiveram 21,85%. A esquerda cresce e ultrapassa a extrema-direita somente quando são adicionados os votos dados à Frente de Esquerda (6,81%) e aos ecologistas (2,03%).

A França conta com 102 departamentos, sendo 98 na chamada França metropolitana. Os candidatos eleitos para essas assembleias locais aplicam recursos repassados pelo Estado nas áreas social, de transporte, educação e cultura. Uma novidade introduzida nesta eleição é que, pela primeira vez, a representação será paritária entre homens e mulheres. Nas assembleias, haverá o mesmo número de eleitos dos dois sexos. 

Socialistas evitam o desastre

O PS emerge das urnas como o grande derrotado do primeiro turno, já que 71 dos 98 departamentos da França metropolitana deverão passar para o controle da direita. No entanto, por ter ficado à frente da extrema-direita com a soma de todos os votos de esquerda, o PS considera ter evitado um vexame. 

Em pronunciamento, o primeiro-ministro Manuel Valls fez um apelo à união da esquerda no segundo turno, programado para o próximo domingo (29). "Muito dispersada no primeiro turno, a esquerda deve, a partir de agora, se unir em torno do candidato de esquerda presente no segundo turno para manter o maior número de cantões e departamentos à esquerda", defendeu o premiê. 

A taxa de participação foi maior do que nas eleições precedentes: a metade dos franceses votaram, lembrando que na França o voto não é obrigatório.

Sarkozy: "franceses querem mudança"

O ex-presidente Nicolas Sarkozy comemorou a vitória dos conservadores. Ele foi o responsável pela articulação das listas de seu partido, UMP, com os centristas da legenda UDI. Sarkozy disse que os franceses "demonstraram nas urnas um grande desejo de mudança". Até agora, os socialistas dominavam os departamentos franceses, uma situação que vai se inverter a favor da direita.

"Nossos compatriotas deixaram de votar maciçamente na esquerda porque eles têm o sentimento de que, há três anos, a esquerda não para de mentir: sobre o desemprego, os impostos, a segurança, a educação", afirmou Sarkozy. O ex-presidente informou que não dará indicação de voto para os simpatizantes da coligação UMP-UDI no segundo turno. "Não temos nada em comum com a Frente Nacional, nem com o candidato de esquerda, porque combatemos essa política", explicou Sarkozy.

Extrema-direita registra melhor desempenho em eleições locais

Diante do frágil resultado do PS, a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, pediu a demissão do primeiro-ministro. "Manuel Valls deve escutar a mensagem das urnas e ter a decência de apresentar sua demissão ao presidente da República, em vez de convocar os eleitores a votar na direita no segundo turno", declarou Le Pen.

Apesar de não ter conseguido se tornar a primeira força política do país, a extrema-direita registra seu maior sucesso em eleições locais.

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