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França/Catástrofe

Passageiros gritaram nos segundos finais da queda do avião da Germanwings

Familiares dos 16 estudantes e dois professores mortos na tragédia fazem um minuto de silêncio na cidade de Haltern, na Alemanha.
Familiares dos 16 estudantes e dois professores mortos na tragédia fazem um minuto de silêncio na cidade de Haltern, na Alemanha. REUTERS/Ina Fassbender

Segundo o procurador de Marselha, Brice Robin, os passageiros do voo 4U9525, que caiu terça-feira (24) nos Alpes franceses, perceberam que o avião estava caindo. A gravação contida na caixa-preta encontrada no local da catástrofe registra os gritos desesperados dos ocupantes segundos antes do choque contra a montanha. A queda do Airbus da Germanwings foi deliberadamente provocada pelo copiloto alemão Andreas Lubitz, de 28 anos. Os investigadores trabalham agora com duas hipóteses: suicídio ou atentado suicida.

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Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (26), o procurador de Marselha, Brice Robin, responsável pelas investigações judiciais, disse que o "copiloto demonstrou uma vontade deliberada de destruir o avião". O acidente deixou 150 mortos.

De acordo com o procurador, o copiloto ficou sozinho na cabine nos últimos 10 minutos do voo, antes do choque fatal contra a montanha. A análise da caixa-preta contendo os últimos 30 minutos de conversas no cockpit revelou que, durante 20 minutos, comandante e copiloto, ambos alemães, conversam normalmente. Depois, o comandante de bordo prepara o briefing de aterrissagem em Dusseldorf e troca informações com o copiloto, que passa a responder de forma lacônica.

Copiloto manipula descida do avião

Em seguida, ouve-se um ruído de cadeira e o comandante deixa a cabine. Quando fica sozinho no cockpit, o copiloto manipula a descida do avião, diz o procurador. “A ação é voluntária”, enfatiza Brice Robin. Quando percebe a perda de altitude, o comandante faz vários apelos para que o copiloto abra a porta, mas ele não dá nenhuma resposta. Pela gravação, ouve-se perfeitamente a respiração de Lubitz e ela é normal, segundo o procurador. "Não é de uma pessoa passando mal, de alguém que está sofrendo um infarto", insistiu.

Durante os oito minutos de queda do avião, os controladores aéreos fazem vários apelos para que o voo 4U9525 acione o transponder, equipamento que coloca o avião em situação de prioridade em relação a qualquer outro voo. O copiloto não responde, fica silencioso o tempo todo. Ouve-se apenas sua respiração, ritmada, normal, de acordo com o procurador Robin. A torre de controle até pediu para outros aviões entrarem em contato com o Airbus, mas Lubitz não responde. Nenhuma mensagem de emergência foi enviada aos controles aéreos.

Comandante e tripulação dão socos na porta da cabine

Nos últimos minutos, ouve-se pessoas dando socos na porta da cabine, tentando desesperadamente abrir a porta, que é blindada. Segundo o procurador, as vozes eram do comandante e de um membro da tripulação. Em nenhum momento houve resposta. Os gritos dos passageiros só são ouvidos alguns instantes antes do choque fatal. O Airbus A320 se espatifou contra a montanha a 750km por hora.

Questionado se o copiloto quis se matar, o procurador de Marselha declarou: "uma pessoa que quer se matar e tira a vida de 150 pessoas? Eu não chamaria isso de suicídio". Ao mesmo tempo, Robin não relacionou o acidente a um ato terrorista.

A segunda caixa-preta contendo os dados técnicos do voo não foi encontrada até agora.

Copiloto foi contratado em 2013

A imprensa alemã traz hoje informações mais detalhadas sobre os dois pilotos do Airbus. O copiloto era originário de Montabaur, cidade no oeste da Alemanha. O prefeito de Montabaur declarou à agência alemã DPA que ele vivia com os pais e também tinha um apartamento em Dusseldorf.

A Germanwings, filial de baixo custo da Lufthansa, informou que o copiloto foi contratado pela empresa em 2013 e tinha 630 horas de voo. Já o comandante tinha 10 anos de experiência e 6 mil horas de voo em aeronaves da Airbus, conforme foi divulgado nas primeiras horas após o acidente.

Comandante era "um pai de família estável", diz colega

Um piloto aposentado da Lufthansa, que conhecia o comandante do A320, disse em entrevista à rádio francesa Europe 1 que o colega morto era "um pai de família estável", apreciado pelos colegas e pela companhia aérea. "Ele tinha um excelente relacionamento com a da tripulação; era um homem bom, educado, sério e bem humorado", declarou. O comandante era casado e tinha dois filhos.

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