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França/Jihadistas

Paris teme retorno de combatentes franceses do grupo EI

O jihadista Abu Abdallah al Faransi, cujo nome de batismo é Maxime, nasceu no norte da França
O jihadista Abu Abdallah al Faransi, cujo nome de batismo é Maxime, nasceu no norte da França © DR

Já se contam às dezenas e logo serão às centenas os combatentes que retornam à França depois de ter passado períodos na Síria e no Iraque ao lado de grupos jihadistas. Por isso, a polícia francesa criou um imenso aparato de vigilância para detectar eventuais terroristas. Entre as medidas, há um volumoso arquivo de fotos que servirá de base para interrogatórios.

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Durante os primeiros meses da insurreição síria, era relativamente fácil saber o que os aprendizes de jihadistas faziam no front: bastava vigiar as redes sociais e fazer capturas de tela das fotografias em que eles apareciam ostentando fuzis AK-47, posando diante de tanques ou segurando cabeças decapitadas. "Isso nos servia de prova e os jihadistas entenderam isso. Encontramos cada vez menos provas", contou à AFP sob condição de anonimato um alto responsável do departamento antiterrorista francês.

Interrogatórios

Essa mesma fonte afirmou que líderes do grupo Estado Islâmico passaram a confiscar os telefones celulares de seus combatentes para evitar que este tipo de situação se repita. "Se temos provas contra eles, as apresentamos à Justiça e eles são presos imediatamente. Sem provas, é preciso interrogá-los", afirmou o responsável. As fotos ainda serviam como elemento de pressão para que combatentes presos denunciassem seus colegas.

O método foi confirmado recentemente pelo juiz antiterrorista Marc Trédivic. Em entrevista à televisão francesa ele descreveu o procedimento: "Com os que regressam, fazemos painéis fotográficos dos jihadistas franceses e dos belgas. Mostramos as fotografias e perguntamos: 'O que fez este aqui', e eles respondem: 'Ah, sim, este é fulano, que estava em Raqqa. Este estava com a polícia islâmica, aquele combateu, aquele outro participou de execuções públicas".

Diante dos investigadores, os repatriados geralmente afirmam ter renunciado à jihad (guerra santa islâmica): "Eles dizem que estiveram lá, viram atrocidades e resolveram voltar, ao que respondemos: 'seus amigos, no entanto, disseram que você não estava tão mal. Você até que demorou bastante para voltar", explicou Trédivic.

Risco de novos atentados

De fato, a maioria dos combatentes que voltam da Síria, embora sigam tendo convicções islâmicas radicais, não passam ao ato, mas as autoridades temem que uma minoria possa decidir promover atentados na Europa. A grande dificuldade é separar uns dos outros.

Atualmente, o grupo Estado Islâmico conta com algo entre 5 mil e 6 mil combatentes europeus. Mais de 1.400 deles, de origem francesa. Para o responsável entrevistado pela AFP, é impossível controlar todas essas pessoas. "Novos atentados vão acontecer", afirma.
 

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