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Imigração

França é contra criação de quotas de imigrantes nos países europeus

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls.
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls. AFP PHOTO/JOEL SAGET

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, declarou neste sábado (16) que a França é contra a criação de "quotas" de distribuição de imigrantes e refugiados entre os países da União Europeia. A proposta foi apresentada na quarta-feira pela Comissão Europeia.

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"Nós queremos ser particularmente claros sobre esse assunto: eu sou contra a introdução de 'quotas' de migrantes. Isso nunca correspondeu às propostas francesas", declarou o primeiro-ministro. "O que a França diz é que os refugiados devem ser distribuídos entre os estados membros de forma mais justa e é preciso levar em conta os esforços feitos por cada país até agora", explicou o líder socialista. Valls visitou hoje a fronteira franco-italiana em Menton, onde cerca de mil clandestinos foram detidos nos últimos dias.

O plano de ação de Bruxelas para regularizar a imigração e o asilo de milhares de pretendentes que sonham viver no solo europeu prevê uma distribuição equitativa dos refugiados entre os países do bloco. Em caso de crise, o projeto propõe uma transferência dos pedidos de asilo entre os estados membros da UE.

"O asilo é um direito concedido de acordo com critérios internacionais aplicados por todos os países da União Europeia. É também por esta razão que o número de beneficiários não pode ser objeto de quotas. As pessoas pedem asilo ou não pedem", disse o premiê.

"Já fizemos muito pelos refugiados"

Valls insistiu que, hoje, "França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Suécia acolhem 75% dos refugiados que pedem asilo na Europa". Ele considera que a França "já fez muito", ao ter recebido 5 mil refugiados iraquianos e 4 mil sírios desde 2012. "Continuaremos a fazê-lo, com a preocupação de que os esforços sejam distribuídos de forma justa", argumentou.

A imigração se tornou uma questão politicamente sensível na França. Recentemente, a extrema-direita registrou uma série de vitórias eleitorais com uma retórica anti-imigração e anti-União Europeia. A líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, conquistou um impressionante número de eleitores para seu partido xenófobo afirmando que o país perdeu a soberania sobre decisões que impactam diretamente na vida dos franceses. Le Pen diz que os franceses não devem se sujeitar às decisões da Comissão Europeia.

A oposição de direita, liderada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, defende regularmente uma revisão dos acordos de Schengen, de livre circulação entre países do bloco.

Com essa frente de oposição aos imigrantes e à política europeia, o Partido Socialista francês tem pouca margem de manobra, embora vários estudos tenham mostrado que tanto a França quanto outros países europeus vão precisar de mão de obra estrangeira no futuro.

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