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França

Sarkozy é criticado por comparar fluxo de imigrantes a um vazamento de água

Sarkozy trabalha para ser candidato em 2018.
Sarkozy trabalha para ser candidato em 2018. REUTERS/Philippe Wojazer

O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy despertou a ira dos partidos de esquerda e o contrangimento de seu próprio grupo político, na quinta-feira (18), ao fazer uma analogia entre o fluxo de imigrantes que chegam à Europa e um vazamento de água na canalização de uma casa.

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A comparação foi feita em um discurso em Isle-d'Adam, na região do Val d'Oise, quando Sarkozy criticou a intenção da Comissão Europeia de repartir entre vários países do continente os imigrantes que pedem asilo político.

“Em uma casa, quando um cano estoura, a água se espalha pela cozinha. O encanador chega e diz: ‘Tenho uma solução: vamos deixar metade da água na cozinha, uma parte na sala e outra parte no quarto dos pais. Se não for o suficiente, vazamos também no quarto das crianças”, discursou o ex-presidente.

Em seguida, continuou: “Não há mais dinheiro, nem emprego e nem casa, mas eles acham que a solução do problema da imigração não é reduzir, e sim repartir”.

O primeiro-ministro Manuel Valls, do Partido Socialista, disse que “a vida política merece algo melhor do que estas frases estigmatizantes e de baixo nível”. Outro representante do governo Hollande, o ministro Jean-Marie Le Guen classificou a declaração de “pedagogia vulgar” e “uma falta de respeito” com os imigrantes e com os franceses.

O próprio presidente François Hollande disse que "assuntos tão graves devem ser abordados com seriedade e sabedoria", em um claro recado a Sarkozy.

Repercussão

Na declaração da porta-voz do Partido Socialista, Corinne Narassiguin, sobrou até para a Frente Nacional: “Nicolas Sarkozy tem um vazamento nas ideias, ele continua a fazer o seu show de comédia de mal gosto. Parece que fez um curso de piadas idiotas com Jean-Marie Le Pen”.

Em seu próprio partido, os Republicanos, a reação foi o silêncio. Mas no início do mês, Sarkozy já havia ouvido críticas de correligionários sobre seu comportamento nos últimos tempos. Rachida Dati, que foi sua ministra da Justiça, disse que “um possível candidato à presidência não deveria fazer sketches” e foi além: “Ele foi um grande presidente da República, estas declarações não estão no mesmo nível”.

Nesta sexta-feira (19), outro ex-ministro da Sarkozy, Yves Jégo, do partido centrista UDI, pediu a Sarkozy que “eleve o debate”. “Não podemos tratar os imigrantes de qualquer jeito só para arrancar aplausos em um comício. Não é digno de um ex-presidente”.

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