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Atentado terrorista/França

Detida, mulher de suposto autor de atentado terrorista na França defende marido

Mulher de suposto autor de atentado no sudeste da França é detida para interrogatório pela polícia nesta sexta-feira (26).
Mulher de suposto autor de atentado no sudeste da França é detida para interrogatório pela polícia nesta sexta-feira (26). REUTERS/Emmanuel Foudrot

A esposa de Yassin Salhi, homem que é apontado como o autor do atentado em uma fábrica de gás no sudeste da França, foi detida para interrogatório pela polícia francesa na tarde desta sexta-feira (26). Momentos antes, entrevistada por uma rádio francesa, a mulher parecia não entender a situação. "Meu coração vai parar, o que acontece?", declarou, ao ser entrevistada.

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"Ele foi trabalhar esta manhã, às 7 horas", disse, em entrevista à rádio Europe 1. Desesperada, a mulher explicou que seu marido trabalha com entregas. "Ontem ele foi ao trabalho, voltou para casa, tudo normal. Tivemos uma noite normal", declarou com a voz muito alterada.

"Somos muçulmanos normais, estamos fazendo o Ramadã. Temos três filhos, uma família normal", reiterou. Segundo ela, não havia motivos para que Salhi realizasse o ataque.

A mulher declarou ter sido informada sobre "a má notícia" por sua cunhada. "No jornal, eles estão dizendo que é um ato terrorista. Mas não é possível, eu conheço meu marido, temos uma vida normal", insistiu.

Logo depois da entrevista, a mulher foi detida para interrogatório. Imagens da televisão francesa mostraram a polícia cercando a residência de Salhi. Além da esposa do suposto autor do ataque, seus três filhos, duas meninas e um menino, de 6 a 9 anos, foram retirados do local.

"Uma família discreta"

Dezenas de vizinhos se reuniram nos arredores de onde vive Salhi, em uma habitação social de Saint-Priest, município da região metropolitana de Lyon.

Entrevistados, os vizinhos de Salhi descrevem "uma família discreta". "Os filhos dele brincam com os meus. Eles são normais e calmos", disse uma mulher que conhece o casal, mas não quis ser identificada.

Outro vizinho disse que o homem não conversava com ninguém. "Nos falávamos apenas 'bom dia' ou 'boa noite'". Um jovem disse que nunca viu Salhi na mesquita de Saint-Priest.

Movimento salafista

Yassin Salhi nasceu em 1980 em Pontarlier, na mesma região do ataque. Ele era conhecido dos serviços secretos franceses por radicalização religiosa e tinha ligações com o movimento salafista, corrente radical islâmica. No entanto, não tinha passagem pela polícia.

Mais cedo a polícia revelou que o homem decapitado era o empregador de Salhi. A vítima, cujo nome ainda não foi divulgado, é o gerente de uma empresa de transportes no município de Chassieu, na mesma região do atentado. O homem estava na fábrica de gás multinacional Air Products para fazer uma entrega.

Atentado terrorista

Na manhã desta sexta-feira, ao menos um homem invadiu a fábrica em um carro, chocando o veículo contra o reservatório de gás e provocando uma explosão. Duas pessoas ficaram feridas. Em uma grade da usina, uma cabeça, coberta com inscrições em árabe, foi encontrada. A polícia ainda busca cúmplices da ação e prendeu três outros suspeitos.

O próprio presidente francês François Hollande declarou que o ataque é de caráter terrorista. De Bruxelas, onde participou ontem e hoje da Cúpula da União Europeia sobre a dívida grega, ele pediu que os franceses não cedessem ao medo e à emoção. Também ressaltou que é preciso guardar a serenidade para estabelecer a verdade e os responsáveis pelos atos.

A unidade antiterror do Ministério Público francês abriu um inquérito por assassinato, tentativa de assassinato, destruição por uso de substância explosiva e formação de quadrilha em relação com organização terrorista. Já o primeiro-ministro Manuel Valls ordenou uma "vigilância reforçada" de todas as instalações consideradas sensíveis na região do atentado.

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