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França/Refugiados

França recebe primeiro grupo de refugiados sírios e iraquianos

Cerca de 50 refugiados sírios e iraquianos chegaram na manhã desta quarta-feira (9) à cidade de Champagne-sur-Seine, à sudeste de Paris.
Cerca de 50 refugiados sírios e iraquianos chegaram na manhã desta quarta-feira (9) à cidade de Champagne-sur-Seine, à sudeste de Paris. REUTERS/Christian Hartmann

Mais de 50 refugiados sírios e iraquianos chegaram na manhã desta quarta-feira (9) à cidade de Champagne-sur-Seine, na região metropolitana de Paris, provenientes da Alemanha. Eles são as primeiras pessoas acolhidas dentro do programa de distribuição de imigrantes da Comissão Europeia, no qual a França está encarregada de receber 24 mil refugiados nos próximos dois anos. Um novo grupo deve chegar nesta tarde ao município de Cergy-Pontoise, nos arredores da capital francesa.

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Acolhidos por voluntários da Cruz Vermelha, 53 pessoas chegaram em um ônibus vindo de Munique, na Alemanha, à pequena cidade de 6.600 habitantes no sudeste de Paris. O grupo, formado em sua maioria por homens, além de duas mulheres com filhos, estava visivelmente exausto, mas muitos falaram com a imprensa, posaram para as câmeras fazendo o "V" da vitória e se disseram esperançosos.

"No Iraque, a vida é perigosa, mas agora vamos começar uma nova vida aqui. Quero permanecer aqui e aprender francês", declarou um engenheiro de 28 anos de Bagdá.

"Vamos alojá-los em um abrigo disponibilizado pela prefeitura, em locais relativamente confortáveis. Também vamos acompanhá-los e facilitar aos procedimentos administrativos, a fim de que eles recebam um status de refugiado em um prazo de dois a três meses", disse o presidente da Cruz Vermelha, Jean-Jacques Eledjam.

De acordo com a organização, cerca de mil refugiados devem chegar na França da Alemanha até sexta-feira (11). Hoje, um outro grupo deve ser recebido à tarde na cidade de Cergy-Pontoise, ao noroeste de Paris.

A reportagem da RFI foi até Champagne-sur-Seine acompanhar a chegada dos refugiados. Um morador português da cidade, que não quis ser identificado, disse achar justo que os imigrantes sejam recebidos em toda a Europa. “Eu também imigrei há 40 anos e apesar da cidade sofrer com desemprego e falta de alojamentos, acho justo recebermos as pessoas que também estão na miséria”, disse.

Direito universal

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, insiste no caráter universal do direito de asilo, criticando alguns prefeitos de direita que disseram aceitariam apenas refugiados cristãos em seus municípios, insinuando um potencial risco terrorista que existiria entre os muçulmanos e outras minorias. "Acolhemos cristãos, muçulmanos, yazidis. Não há triagem. O direito de asilo é universal", disse Valls.

Das cerca de 220 cidades francesas que já aceitaram receber refugiados, nenhuma é governada pelo partido de extrema-direita Frente Nacional. Os beneficiários do asilo receberão documentos rapidamente e poderão trabalhar legalmente no país, promete o governo.

160 mil refugiados

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou nesta manhã ao Parlamento Europeu a proposta de distribuir 160 mil refugiados entre os países do bloco. Ele defendeu que o acolhimento deve ser obrigatório e precisa começar na semana que vem. O objetivo é aliviar a Grécia, a Hungria e a Itália dos milhares de migrantes bloqueados nesses países.

Juncker também pediu aos governos europeus que não façam distinção dos refugiados por religião. Para diminuir o peso dos exilados nos cofres públicos, a Comissão propõe que eles possam trabalhar legalmente enquanto aguardam a conclusão do processo de demanda de asilo.

A proposta da Comissão deve ser aprovada pelos ministros do Interior do bloco, que se reunirão no dia 14 de setembro.

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