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Síria/Jihadistas

França exclui intervenção terrestre ocidental na Síria, mas poderá apoiar coalizão regional

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, defende operações aéreas contra o grupo Estado Islâmico durante sessão no Parlamento.
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, defende operações aéreas contra o grupo Estado Islâmico durante sessão no Parlamento. captura vídeo

O primeiro-ministro da França, Manuel Valls, apresentou nesta terça-feira (15) ao Parlamento o plano do governo para bombardear posições do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria. O premiê excluiu o envio de tropas terrestres à Síria, mas disse que a França poderá apoiar uma coalizão terrestre de países da região para "liberar a Síria da tirania" dos jihadistas.

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A força aérea francesa iniciou os voos de reconhecimento do território sírio na semana passada e deverá passar à ação nas próximas semanas, em data ainda não definida. Valls explicou que a França decidirá sozinha os alvos a serem atacados, uma forma de rebater as críticas de que o governo Hollande obedece a ordens dos Estados Unidos.

Segundo o primeiro-ministro, a campanha aérea liderada pelos Estados Unidos contra os radicais islâmicos no Iraque e na Síria já causou a morte de 133 pessoas que partiram da França para lutar nas fileiras jihadistas. Por enquanto, Paris só participa de operações aéreas no Iraque.

De acordo com informações do governo, 1.880 franceses ou cidadãos de outras nacionalidades residentes no país estão envolvidos com grupos jihadistas no Oriente Médio, sendo que 491 permanecem na região. Os franceses ou residentes que aderiram à Jihad (do árabe "guerra santa") participam de ações cada vez mais sanguinárias, como ataques suicidas, disse o primeiro-ministro.

Franceses divididos sobre diálogo com Assad

A maioria dos políticos franceses, à exceção dos representantes da extrema-esquerda, apoia a estratégia militar do governo de ampliar os bombardeios às posições do EI. Porém, as opiniões se dividem em relação ao tratamento que deve ser dado ao presidente sírio, Bashar al-Assad.

Uma parte da formação "Os Republicanos", partido do ex-presidente Nicolas Sarkozy, defende a retomada do diálogo com Assad, como se o presidente sírio fosse um mal menor do que o EI. O ex-primeiro-ministro de Sarkozy, François Fillon, publicou uma carta aberta ao governo defendendo a reaproximação diplomática da França com a Rússia e o Irã, visando "uma operação maciça para eliminar o EI". Essa estratégia, segundo Fillon, exige que se deixe de lado as interrogações sobre o futuro do regime. "É preciso ajudar o regime de Assad, que, com todos os seus defeitos, está prestes a cair, e dar prioridade ao combate aos jihadistas."

Hollande ainda não desistiu de tirar Assad do poder, ou "neutralizar" o presidente sírio, como se diz em linguagem diplomática. Mas, diante do êxodo dos refugiados sírios e iraquianos para a Europa, a França está mais flexível. O ministro da Defesa francês, Jean-Yves Le Drian, explica as razões dessa guinada. "Não podemos permitir que a Síria permaneça como um ângulo morto em nossa política no Oriente Médio", avaliou Le Drian.

O ex-diplomata Jean-Pierre Filiu, autor do livro "Les Arabes, leur destin et le nôtre", em tradução livre "Os árabes: o destino deles e o nosso", publicado pela Editions La Découverte, considera "indispensável conservar uma linha clara em relação a Bashar al-Assad, para melhor lutar contra os jihadistas, porque o presidente sírio está na origem da expansão do EI e da crise dos refugiados".

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