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França/Meio Ambiente

França quer mudar método de trabalho para garantir acordo na COP 21

Reunião preparatória em Bonn para a COP21, que acontecerá em Paris.
Reunião preparatória em Bonn para a COP21, que acontecerá em Paris. @UNFCCC

A pouco mais de um mês da abertura da Conferência do Clima da ONU em Paris, a COP 21, a principal negociadora francesa, Laurence Tubiana, defende uma mudança no método de trabalho dos países envolvidos para salvar um acordo global.

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Pelo menos três pontos continuam emperrados nas negociações: a questão do apoio financeiro e tecnológico para reduzir as emissões de gases de efeito estufa nos países pobres e em desenvolvimento; a definição do que seria uma economia de baixa emissão de carbono; e a solidariedade internacional em relação aos países impactados pelo aquecimento global, como as ilhas que tendem a desaparecer pela elevação do nível do mar com o aumento da temperatura da Terra.

A última rodada de discussões encerrada na semana passada, em Bonn, na Alemanha, não foi suficiente para os negociadores de 195 países chegarem a um projeto claro de combate ao aquecimento global.

Pontos básicos seguem indefinidos, como a questão de limitar o aquecimento da Terra a 2°C, uma recomendação dos climatologistas. Existem ao menos seis valores diferentes sobre a mesa, segundo Laurence Tubiana. As fórmulas variam de limitar o aquecimento para "abaixo de 2°C°", "abaixo de 1,5C°", ou ainda "bem abaixo de 2°C".

Ignorância sobre emissões de carbono

A negociadora francesa ainda disse que muitos países não compreenderam o que significa uma economia de baixa emissão de carbono, preferindo falar em redução das emissões de gases de efeito estufa, incluindo na agricultura. É o caso, segundo ela, dos países produtores de petróleo que "são hostis à ideia de concentrar tudo sobre o carbono".

Laurence Tubiana, negociadora da França na COP 21.
Laurence Tubiana, negociadora da França na COP 21. AFP PHOTO / MIGUEL MEDINA

Laurence Tubiana cita ainda entre os obstáculos a diferença de obrigações dos países de acordo com seus níveis de desenvolvimento, os mecanismos de medição e de supervisão, as cláusulas de revisão do acordo e as contribuições dos governos.

O tema da solidariedade internacional em relação aos países mais vulneráveis em relação aos efeitos do fenômeno global é outro ponto de bloqueio nas negociações. Estados Unidos, Austrália e Canadá não querem que este assunto esteja no documento a ser firmado em Paris. "A União Europeia não está totalmente a favor, mas está aberta a discussões", acrescenta.

Esta questão é diferente do financiamento para ajudar os países em desenvolvimento adotarem uma economia baseada em energias "limpas". Os países exigem que essa ajuda ultrapasse US$ 100 bilhões por ano após 2020, como prometido pelos países ricos na Conferência do Clima de Copenhague, em 2009.

Otimismo em meio às dificuldades

Tubiana admite que o "mecanismo multilateral" desacelera de maneira crônica o processo de acordo devido a diferentes realidades econômicas dos países e a tentação dos negociadores de esperar a conclusão de acordo de última hora.

Mesmo assim, a negociadora francesa não perde a esperança: das 32 páginas do atual projeto de acordo global, ela espera reduzir o documento a 15, no máximo 20 páginas, até o início da conferência, no dia 30 de novembro.

 

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