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França/Misoginia

Vídeo: França lança ampla campanha contra assédio sexual no transporte público

A secretária francesa dos direitos das mulheres, Pascale Boistard, inaugura campanha contra assédio sexual na Gare de Saint Lazare.
A secretária francesa dos direitos das mulheres, Pascale Boistard, inaugura campanha contra assédio sexual na Gare de Saint Lazare. AFP PHOTO/BERTRAND GUAY

A secretária francesa dos direitos das mulheres, Pascale Boistard, inaugura nesta segunda-feira (9), ao lado do seu colega dos Transportes, Alain Vidalies, uma ampla campanha contra o assédio e a violência misógina no transporte público. Na Gare de St. Lazare, em Paris, os dois secretários apresentam os cartazes, o vídeo interativo (veja a seguir) e os panfletos que alertam, às vezes de forma bastante direta para a violência que as mulheres sofrem diariamente, além das consequências penais que esperam os agressores.

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A ideia desta campanha, anunciada há quatro meses como parte de um plano de "luta contra o assédio e a violência sexuais" nos transportes coletivos, é incentivar a denúncia e a reação das vítimas e testemunhas, além de lembrar que o assédio é crime. Em um comunicado à imprensa, Boistard explica que os "comportamentos devem evoluir para que nenhuma agressão seja banalizada ou ignorada. O objetivo e dar a cada um e cada uma as ferramentas para reagir".

A partir de segunda-feira, painéis eletrônicos, espaços publicitários e informativos das estações das maiores cidades serão reservados à campanha. Talvez a parte mais impressionante seja a sequência de letreiros que, dentro da identidade visual do itinerário dos trens, substitui os nomes das estações por abordagens, cada vez mais virulentas, de um agressor. Na primeira "estação", "senhorita!", na segunda: "você é bonitinha"; na terceira: "vamos nos conhecer?"; Na quarta, "qual seu número de telefone?"; Na quinta: "Essa minissaia é pra mim?"; Na sexta: "Gostosa, você me excita!"; Na penúltima, "Responde, sua cadela!"; E na última estação, o nome da campanha: "Stop! Ca suffit!" ou "Para! Já deu!".

Outras peças seguem a mesma linha para retratar o pavor das vítimas ou a hesitação das testemunhas, além de lembrar os números de emergência. A partir do dia 7 de dezembro, o número da companhia de transportes SNCF também será acessível por SMS, o que permitirá às vítimas e testemunhas fazer denúncias com maior descrição.

Cultura de estupro

Na França, o assédio pode resultar em até cinco anos de cadeia e € 75 mil de multa, no caso de apalpadas, roçadas ou contatos físicos forçados. Para injúrias e ameaças, a pena é de € 22,5 mil, além de até seis meses de prisão. Mesmo assim, uma pesquisa feita pelo Alto Conselho para a Igualdade entre Mulheres e Homens (HCEfh, na sigla em francês) mostra um índice alarmante de incidências.

Das 600 usuárias de transportes coletivos entrevistadas em duas cidades da periferia parisiense, absolutamente todas já sofreram assédios ou agressões misóginas. Este estudo foi realizado em março e entregue ao governo em abril.

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