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França/Atentado

Terroristas que mataram mais de 100 em Paris gritavam contra a intervenção francesa na Síria

Bombeiros carregam uma pessoa ferida no atentado ao Bataclan
Bombeiros carregam uma pessoa ferida no atentado ao Bataclan KENZO TRIBOUILLARD/AFP

"A culpa é do presidente francês, François Hollande, não tem por que intervir na Síria", afirmaram os criminosos durante a tomada de reféns na casa de espetáculos Bataclan, em Paris, que terminou em chacina, afirmou uma testemunha à agência France Presse. "Estava no show com minha irmã e amigos. Estávamos nas grades do primeiro andar. O show do Eagles of Death Metal havia começado há mais ou menos uma hora quando ouvimos tiros embaixo, no subsolo", contou Pierre Janaszak, apresentador de rádio e televisão, de 35 anos.

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"A princípio, pensamos que era parte do espetáculo, mas logo percebemos o que acontecia", continuou. "Eram três pessoas, me parece, e atiravam de maneira indiscriminada. Tinham fuzis grandes, suponho que eram kalashnikovs, faziam um barulho enorme. Atiravam sem parar. Havia sangue por todos os lados, corpos para todos os lados."

Ele conta que ouviu muitos gritos. "Todos tentavam fugir, as pessoas pisavam umas nas outras. Foi um inferno", disse.  Segundo ele, os agressores não estavam encapuzados. "Parece que tinham muita munição. E aconteceu uma explosão muito mais forte, não sei bem o que aconteceu. Eu me tranquei no banheiro, no primeiro andar. Éramos quatro. Eles não entraram lá. Eles tinham reféns, eu ouvi quando conversavam entre eles. Diziam que tinham 20 reféns, mas não fui comprovar", continuou.

O apresentador ainda relatou que escutou quando os terroristas tentavam negociar com a polícia pela janela. "Ouvi quando diziam: 'A culpa é de Hollande, a culpa é do seu presidente, não tem por quê intervir na Síria'. Também falaram do Iraque", afirmou. "Depois ouvimos os disparos, quando a polícia entrou. Ouvimos tiros por todos os lados, e aconteceram outras explosões", acrescentou.

"Os policiais abriram a porta (do banheiro) e nos falaram para sair. Pediram que eu mostrasse o torso antes de sair, para ter certeza que não tinha uma bomba", completou.

Atentados coordenados

Uma série de ataques coordenados deixou pelo menos 120 mortos na sexta-feira (13) em Paris, incluindo o massacre no Bataclan, um atentado suicida perto do Stade de France e tiroteios em bares e restaurantes do centro da cidade. Os atentados, cometidos quase simultaneamente a partir das 21h20 (18h20 de Brasília), também deixaram 200 feridos, 80 deles em estado grave.

Oito criminosos morreram nos ataques e, segundo o procurador-geral de Paris, François Molins, cúmplices ou co-autores podem estar soltos. Pelo menos 82 pessoas morreram na casa de espetáculos Bataclan, lotada com quase 1.500 espectadores, quando os terroristas invadiram o local durante a apresentação do grupo americano Eagles of Death Metal.

" Dois ou três indivíduos com o rosto descoberto entraram com armas automáticas do tipo kalashnikov e começaram a atirar aleatoriamente contra o público", relatou um apresentador da rádio Europa 1, Julien Pearce, que estava no local. "Isso durou uns 10, 15 minutos. Foi extremamente violento e houve uma onda de pânico", acrescentou. Outra testemunha afirmou à emissora France Info que um dos atiradores gritou "Alá Akbar" (Deus é grande, em árabe) antes de abrir fogo.

Combate implacável

A França participa há dois anos na coalizão antijihadista que luta contra o grupo Estado Islâmico (EI) no Iraque e, em outubro, estendeu os bombardeios aéreos à Síria, país em guerra desde 2011.   Desde 2014, O EI controla uma ampla faixa de território entre os dois países.

Após a meia-noite, as forças de segurança entraram no Bataclan, e a operação terminou com a morte dos quatro criminosos, três deles com detonação dos explosivos que levavam junto aos corpos. Esses foram os primeiros atentados suicidas na história recente do país.

O presidente Hollande visitou a casa de espetáculos ao lado de vários ministros e prometeu um "combate implacável" contra o terrorismo. Antes, ele havia decretado, durante um discurso exibido na televisão, estado de emergência e anunciado reforços militar para enfrentar os "ataques terroristas sem precedentes". Também cancelou a viagem à Turquia, onde participaria no domingo da reunião de cúpula do G20.

O massacre aconteceu no dia em que a França determinou o restabelecimento, durante um mês, dos controles nas fronteiras por ocasião da Conferência da ONU sobre o Clima (COP21), que acontecerá de 30 de novembro a 11 de dezembro em Paris.

A capital francesa já havia sido cenário, em janeiro, de atentados jihadistas contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado kosher, que deixaram 17 mortos.  Além do ataque do Bataclan, pelo menos uma pessoa morreu em uma explosão perto do Stade de France, região na qual foram ouvidas três detonações durante um amistoso entre França e Alemanha (2-0), com um público de 80 mil pessoas.

Hollande retirado do Stade de France

Três pessoas, "sem dúvida terroristas" segundo uma fonte próxima à investigação, morreram na área. O estádio, que receberá partidas da Eurocopa de 2016, foi evacuado.  Hollande assistia a partida ao lado do ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank- Walter Steimeier, e foi retirado do local.

Um restaurante cambojano próximo ao Bataclan também foi alvo de um atentado, que teria provocado 12 mortes, segundo várias fontes. "Foi surreal, todos estavam no chão, ninguém se movimentava", disse uma mulher.
Nas proximidades da Praça da República, cinco pessoas morreram em um tiroteio com arma automática no terraço de uma pizzaria. Uma testemunha afirmou ter visto um "Ford Focus preto que atirava e depois vários cartuchos no chão".

Um café e um restaurante japonês próximos tiveram o mesmo destino, com um saldo provisório de 18 mortos.  Diante da gravidade dos atentados, a polícia e a prefeitura recomendaram que a população permaneça em suas casas. As forças de segurança isolaram vários pontos da capital, dominada pela forte presença da polícia, assim como os serviços de emergência.

A comunidade internacional condenou os ataques, que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou de atentado "contra toda a humanidade", e transmitiu sua solidariedade à França.   O presidente iraniano, Hasan Rohani, chamou os ataques de "crime contra a humanidade" e adiou a viagem prevista para a Itália, no sábado, e França, na segunda-feira.  Em nome da unidade nacional, os principais partidos e personalidades políticas anunciaram a suspensão da campanha eleitoral para o pleito regional previsto para dezembro.

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