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EUA/França

EUA e França vão intensificar ataques contra grupo EI, mas sem tropas terrestres

François Hollande e Barack Obama se encontraram em Washington para discutir uma estratégia comum de luta contra o terrorismo.
François Hollande e Barack Obama se encontraram em Washington para discutir uma estratégia comum de luta contra o terrorismo. REUTERS/Carlos Barria

Os governos dos Estados Unidos e da França concordaram nesta terça-feira (24) em intensificar suas operações aéreas contra o grupo Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. No entanto, tropas terrestres não serão enviadas ao território sírio. A declaração foi feita após um encontro em Washington do presidente norte-americano Barack Obama com líder francês, François Hollande.

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O presidente francês teve uma reunião de pouco mais de uma hora e meia com Obama, no Salão Oval da Casa Branca. No encontro, os chefes de Estado discutiram os esforços conjuntos contra o EI, após os atentados de 13 de novembro passado, que deixaram 130 mortos e mais de 350 feridos em Paris. "Decidimos intensificar nossos ataques na Síria e no Irã, aumentar sua dimensão, reforçar as trocas em Inteligência sobre os alvos (...). A prioridade é recuperar pontos-chave ocupados pelo EI na Síria", disse Hollande, durante coletiva de imprensa com Obama.

O representante de Paris antecipou que a França não pretende enviar tropas terrestres para combater os radicais em território sírio, mas revelou que o acordo com Obama inclui oferecer "apoio aos grupos que combatem o EI no terreno". Na visão de Hollande, o presidente sírio, Bashar al-Assad, deve deixar o poder rapidamente. "Não serei eu a dar a data de saída (de Al-Assad do poder), mas deveria ocorrer o quanto antes", frisou.

“Somos todos franceses”

Já no início da coletiva, Obama não deixou dúvidas sobre o apoio de Washington a Paris em seus esforços contra o Estado Islâmico, após os sangrentos ataques de 13 de novembro. "Somos todos franceses", disse o presidente norte-americano, em francês. A declaração é uma resposta direta à reação dos cidadãos franceses após os atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York e Washington, quando repetiam: "somos todos americanos".

"Amamos os franceses", reforçou Obama, lembrando que Paris é o "mais antigo aliado dos Estados Unidos", em referência à Revolução americana no fim do século XVIII, apoiada pelos franceses. "Estamos vigilantes. Tomamos precauções (...) Os americanos não serão aterrorizados. Digo isso porque parte de estar vigilante e derrotar uma organização como o grupo Estado Islâmico é defender os direitos e as liberdades que definem nossas repúblicas", completou Obama.

Evitar escalada entre Turquia e Rússia

A aguardada visita de Hollande aos Estados Unidos praticamente coincidiu com um episódio delicado na luta contra o EI: a queda de um caça russo abatido pela Turquia. Na coletiva, Obama disse que a Ancara "tem o direito de proteger seu território e seu espaço aéreo" e sugeriu que as prioridades russas em suas operações podiam ser uma das causas para a crise.

Na visão de Obama, o episódio indica "um problema com as operações russas (na Síria), no sentido de que essas operações são muito próximas da fronteira turca e estão atacando uma oposição moderada, que não apenas é apoiada pela Turquia, mas também por vários países". Nesse contexto, Obama e Hollande fizeram um apelo enérgico para que os dois países evitem a escalada de tensões bilaterais.

Do lado francês, o presidente antecipou a posição que compartilhará com o presidente russo, Vladimir Putin, durante sua visita a Moscou, na quinta-feira (26). "Direi (a Putin) que a França pode trabalhar com a Rússia se concentrar suas ações militares sobre o EI e se comprometer com a busca de uma solução política na Síria", comentou Hollande.

O presidente francês continuará sua ofensiva diplomática na quarta-feira (25), em Paris, onde se encontrará com a chanceler alemã, Angela Merkel, antes do encontro com Putin no dia seguinte. No domingo, ele receberá o presidente chinês, Xi Jinping.

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