Acessar o conteúdo principal
França/Terrorismo

Hollande promete destruir “exército de fanáticos” do grupo Estado Islâmico

O presidente François Hollande discursa na tribuna montada no palácio dos Invalides, em Paris
O presidente François Hollande discursa na tribuna montada no palácio dos Invalides, em Paris REUTERS/Philippe Wojazer

Em uma homenagem aos 130 mortos dos atentados do último dia 13, o presidente François Hollande prometeu “solenemente” que a França não poupará esforços para destruir o “exército de fanáticos que cometeu esses crimes”, em referência aos extremistas do grupo Estado Islâmico, cujo nome ele não citou uma única vez em 15 minutos de discurso.Hollande prometeu ainda que a França “não cederá ao medo ou ao ódio” e “continuará a ser o país que os mortos amavam e que gostariam que continuasse a ser”.

Publicidade

Para o presidente, a revolta que hoje os franceses sentem “deve ser utilizada para defender com serenidade e determinação o princípio da liberdade”. Hollande insistiu que, “mais do que nunca, a França deve promover os seus valores, ter orgulho da história, da cultura e de seus valores universais”. De acordo com ele, “a França guarda intacto o espírito de tolerância, (…) apesar do sangue derramado”.

O chefe do Estado francês também prestou homenagens às equipes de socorro e às pessoas comuns que não mediram esforços para atender às vítimas, declarando que o país deu uma demonstração de um de seus lemas, a fraternidade.

“Em um ato de guerra organizado de longe e friamente executado, uma horda de assassinos matou 130 dos nossos e feriu centenas, traindo seu Deus em nome de uma causa louca”, discursou o presidente, reiterando tacitamente que os jihadistas não representam o Islã.

Geração Bataclan

Hollande encerrou seu discurso homenageando essa geração que conheceu a brutalidade do mundo nos atentados de Paris. Ele lembrou que várias das vítimas tinham menos de 30 anos, não passavam de crianças à época da queda do muro de Berlim, compreenderam em 11 de setembro de 2001 que o mundo era ameaçado por “novos perigos” e sofreram o choque dos ataques contra o jornal satírico Charlie Hebdo em janeiro.

De acordo com o presidente, essa geração representa a França: “Eles foram mortos porque amavam a vida. Eles foram abatidos porque eram a França; porque eram a liberdade, foram massacrados”, afirmou, lembrando que as vítimas eram originárias de mais de 50 localidades francesas. “Eles vinham de nossas cidades, de nossas periferias, de nossos vilarejos e também do mundo. Dezessete países compartilham hoje o luto conosco”, disse Hollande.

Classe política

O discurso do presidente encerrou a cerimônia em que os nomes de todas as vítimas foram lidos em ordem alfabética, sob o silêncio fúnebre das 2.650 pessoas presentes no Hotel des Invalides, o majestoso palácio parisiense que guarda os restos mortais de Napoleão Bonaparte. Esse local é bastante simbólico, porque normalmente é reservado a homenagens a militares mortos em combate.

O evento contou ainda com apresentações musicais e a presença de diversas personalidades políticas. Além dos membros do governo, estiveram nos Invalides os primeiros-ministros das últimas três administrações franceses e os presidentes do Senado e da Assembleia Nacional, além do ex-presidente Nicolas Sarkozy e da prefeita de Paris, Anne Hidalgo. Líderes de partidos de todo o espectro político francês, de Jean-Luc Mélenchon (Partido de Esquerda) a Marine Le Pen (Frente Nacional, de extrema direita) também compareceram.

A duas semanas das eleições regionais na França, o partido de extrema-direita é o principal beneficiário dos atentados, com uma retórica centrada no fechamento das fronteiras, na recusa de receber refugiados e na saída da França da União Europeia. 

União antiterrorista

Para mostrar a união nacional contra o terrorismo, o presidente pediu aos franceses que exibissem bandeiras da França nas janelas de suas casas, em carros e escritórios. O apelo convenceu muita gente e mobilizou até os menos patrióticos. Monumentos e terraços de Paris amanheceram hoje decorados de azul, branco e vermelho.    

A imprensa também prestou homenagem aos mortos, publicando os nomes e biografias das vítimas. A idade média dos mortos era de 35 anos. Duas semanas após os atentados, 94 pessoas continuam hospitalizadas e 17 correm risco de morte.

Algumas famílias de vítimas decidiram não participar da homenagem nacional, responsabilizando o governo por nada ter feito para evitar novos atentados depois do massacre de janeiro ao jornal satírico Charlie Hebdo.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.