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Atuação de Taubira no Ministério da Justiça divide imprensa francesa

Capa dos jornais L'Humanité, Libération, Le Figaro, Les Echos e Aujourd'hui en France desta quinta-feira, 28/01/16.
Capa dos jornais L'Humanité, Libération, Le Figaro, Les Echos e Aujourd'hui en France desta quinta-feira, 28/01/16.

Dois assuntos estão em destaque na imprensa francesa nesta quinta-feira (28): a demissão da ministra da Justiça, Christiane Taubira, anunciada ontem, após "um desentendimento político grave" com o presidente François Hollande e o aumento do desemprego no país.  

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Le Figaro afirma que a saída de Christiane Taubira do governo agrava as divisões à esquerda. Opositora declarada ao projeto de reforma constitucional que prevê a destituição da nacionalidade aos criminosos condenados por terrorismo, Taubira tornou-se perigosa para Hollande fora do governo. A ex-ministra agrega em torno dela um grande número de representantes da esquerda que também são contra o projeto e podem comprometer sua aprovação no Parlamento, avalia Le Figaro.

Em editorial, o diário conservador faz um balanço duro da passagem de Taubira pelo governo, apontando-a como "uma das piores ministras da Justiça dos últimos 50 anos". Le Figaro acusa Taubira, única integrante negra do governo Hollande, de terrorismo intelectual e laxismo penal. "Já era tempo de ela ir embora", conclui o diário.

Libération rebate acusações de laxismo

Já o jornal de esquerda Libération rebate a acusação de laxismo. Segundo o jornal, a direita "adora mostrar essa caricatura da ex-ministra", apontá-la como "um símbolo de permissividade" por Taubira ter aprovado o casamento entre pessoas do mesmo sexo e ter defendido a ressocialização dos presos na sociedade.

Apoiado em dados oficiais, Libération mostra que as mudanças promovidas pela ex-ministra no Código Penal "não resultaram num esvaziamento das cadeias", como pretende a direita, "não facilitaram a fuga de presos nem favoreceram a reincidência de crimes e delitos". Em seu texto, o jornal afirma que Taubira ficará na história "como a corajosa defensora da igualdade para os homossexuais".

Aujourd'hui en France observa que com a saída da ministra, o presidente Hollande perde seu último representante realmente de esquerda no governo. De acordo com uma pesquisa publicada pelo jornal, os franceses de fato nutrem uma opinião negativa a respeito da atuação de Taubira: 73% aprovaram a demissão e 65% consideram que ela não foi uma boa ministra da Justiça.

Manchete do Le Monde com data de sexta-feira (29), a demissão de Taubira representa uma nova vitória para a ala conservadora do PS, constituída em torno do premiê Manuel Valls. O jornal confirma que ela tinha manifestado sua vontade de deixar o governo há pelo menos um mês e acertou sua saída, no sábado, com Hollande.

Na avaliação de Le Monde, a aprovação do casamento entre homossexuais foi praticamente a única grande conquista da ex-ministra. "Depois disso, ela perdeu um grande número de decisões internas no governo e teve vários projetos esvaziados no Legislativo", escreve o jornal. "Para alguns, ela foi um ícone; para outros, uma presa a ser abatida", diz o Monde.  

Hollande fracassa no combate ao desemprego

A outra manchete em destaque nesta quinta-feira é o fracasso do governo Hollande no combate ao desemprego. Les Echos cita dados recém-divulgados. Em resumo, o ano de 2015 terminou com 90 mil desempregados a mais na França, o que representa o menor aumento desde o início do governo, em 2012.

O problema é que com 700 mil desempregados a mais desde o início do mandato, a França tem o pior desempenho no combate ao desemprego entre os países vizinhos na Europa. Vai ser difícil para François Hollande disputar um segundo mandato com esse fracasso nas costas, avalia o diário.

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