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Raúl Castro chega a Paris para iniciar nova era de relações com a Europa

François Hollande (esquerda) e Raúl Castro durante visita do presidente francês a Havana, no ano passado.
François Hollande (esquerda) e Raúl Castro durante visita do presidente francês a Havana, no ano passado. © Presidencia de la República Francesa

O presidente cubano, Raúl Castro, chegou neste sábado (30) a Paris, dois dias antes de iniciar uma visita oficial  durante a qual vai se reunir com o presidente François Hollande. O avião do líder cubano pousou pouco depois das 12h15 (10h15 de Brasília) no aeroporto de Paris-Orly.

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A estadia de Castro na França começa com uma visita privada, antes de continuar na segunda e terça-feira com uma visita de Estado centrada em interesses econômicos. Mas, sem sorte, pelo menos no que diz respeito ao tempo, Castro deixou sua ensolarada ilha no Caribe para passar um fim de semana debaixo de chuva na capital francesa.

François Hollande foi o primeiro chefe de Estado europeu a "correr" para Havana, em maio de 2015, após o anúncio do descongelamento das relações da ilha com os Estados Unidos. Agora, Cuba pretende "expandir e diversificar mais as suas relações com a França em todos os campos possíveis: político, econômico, comercial, financeiro, investimento, cultural e de cooperação", segundo o vice-chanceler cubano, Rogelio Sierra.

Hollande está empenhado em fortalecer a diplomacia econômica

Do lado francês, Hollande espera tirar proveito do acordo fechado entre Cuba e o Clube de Paris, em dezembro passado, a respeito da reestruturação da dívida cubana de US$ 17 bilhões. Os credores, incluindo o Japão e outros países ocidentais, renunciaram à cobrança de juros pelos atrasos nos pagamentos. Na sequência desse acerto, a França, que preside o Clube de Paris, iniciou uma negociação bilateral com Cuba sobre o principal da dívida, cerca de US$ 390 milhões. O governo francês tem agora a intenção de reinjetar esse montante na ilha, em projetos de desenvolvimento interessantes para empresas francesas.

Durante a visita de Castro, os dois governos devem estabelecer uma agenda de cooperação. A primeira medida que deve ser anunciada é a instalação de uma sucursal da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) em Havana. Os cubanos necessitam de investimentos em infraestrutura e logística que podem ser capitalizados por empresas francesas.

Um dos projetos que pode sair do papel é o de modernização da rede de água e de esgoto de Havana, em péssimo estado de manutenção. A companhia ferroviária estatal SNCF também já realizou uma primeira inspeção nas estradas de ferro cubanas, que precisam de melhorias. Empresas dos setores de bebidas (Pernod Ricard), hotelaria (Accor) e petróleo (Total) também estão de olho nas oportunidades do mercado cubano. 

Depois de assinar esta semana contratos milionários com o presidente do Irã, Hassan Rohani, Paris busca reforçar a presença de empresas francesas em uma Cuba que se abre pouco a pouco para a economia de mercado. Com um comércio anual de US$ 195 milhões, a França faz parte dos dez principais sócios de Cuba.

Bandeira de Cuba flutua pela primeira vez no Champs Elysées   

Com Raúl, pela primeira vez, a bandeira cubana flutua na avenida do Champs Elysées. Os franceses também estão à frente das negociações iniciadas em 2014 entre Cuba e a União Europeia (UE), que logo poderão resultar em um acordo de diálogo político e cooperação, o que significará deixar para trás velhas controvérsias sobre a questão dos direitos humanos, um tema delicado, já que Cuba é alvo frequente de críticas nesse sentido.

Raúl Castro, que terá honras de uma visita de Estado, visitará na segunda-feira o Arco do Triunfo, que exibirá as cores da bandeira cubana. Depois se reunirá com Hollande e jantará no Palácio do Eliseu.

Na terça, Castro se reunirá com o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bartolone, o presidente do Senado, Gerard Larcher, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e o primeiro-ministro Manuel Valls, para depois visitar o reformado Museu do Homem.

A última visita de um presidente cubano à França data de março de 1995, quando Fidel Castro foi convidado por François Mitterrand ao final de seu segundo mandato. Mas, na época, a visita, não oficial, foi considerada constrangedora para o governo francês. Fidel também assisitiu aos funerais de Mitterrand em janeiro do ano seguinte.

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