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Especialista francês acha que OMS exagerou em alerta sobre zika

Capa do jornal Libération desta quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016.
Capa do jornal Libération desta quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016.

Depois do alerta mundial da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre os riscos do zika provocar a microcefalia em bebês, a França foi contaminada pelo medo do vírus. Os jornais franceses desta quarta-feira (3) voltam a abordar o tema. A imprensa destaca que nem bem a epidemia do ebola foi controlada, o mundo se vê às voltas com uma nova ameaça. Mas um especialista ouvido por Libération considera "o nível de preocupação sugerido pela OMS exagerado".

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Libération diz que o verdadeiro inimigo são as epidemias. Depois do ebola, do H1N1 e do Sars, o zika está prestes a se transformar em uma pandemia maciça reforçando o medo mundial. O zika é um vírus típico do século 21 e da globalização que acelera a transmissão da doença.

Libération ressalta que a Organização Mundial da Saúde decretou o quarto alerta vermellho de sua história contra a epidemia, mesmo se o zika ainda não provocou nenhuma morte. Um especialista entrevistado pelo jornal, o professor Jean-François Delfraissy, diretor da Agência Nacional de Pesquisa sobre a Aids e coordenador da luta contra o ebola, considera o nível de preocupação atual, sugerido pela OMS, "exagerado". Ele não nega a epidemia de zika. Diz inclusive que as necessárias medidas preventivas não vão interromper a propagação do vírus, inclusive nas Antilhas Francesas.

Jean-François Delfraissy lembra que o zika é benigno em 80% dos casos e assintomático. Para ele, é necessário acalmar a população e evitar o pânico. O especialista aconselha políticas de prevenção específicas para as grávidas, principalmente porque muitas mulheres podem desconhecer se contraíram a doença. É sobre esse ponto que se espera maiores precisões da OMS, critica Libération. Apesar do alerta mundial e da criação da unidade especial contra o zika vírus na América do Sul, o jornal diz que a organização sozinha não pode fazer muita coisa e pede a reação dos países afetados, que são os únicos a poder evitar a propagação do mal.

Primeiro caso de transmissão do zika por via sexual preocupa

O medo da propagação aumentou ainda mais ontem (2), depois que um primeiro caso de transmissão sexual do zika foi identificado no Texas, escreve Les Echos. A transmissão por via sexual era, até agora, considerada improvável pelos cientistas, informa o jornal, que detalha a resposta internacional contra a epidemia. O objetivo da unidade especial global de combate ao vírus, criada pela OMS, é estimular as pesquisas para comprovar ou não a relação entre o zika e os casos de microcefalia e outras complicações neurológicas, explica o jornal.

A OMS também busca incentivar a descoberta de uma vacina. Enquanto isso, a França desaconselha as mulheres grávidas a viajar às regiões atingidas pela epidemia, principalmente o Brasil, o país mais afetado, mas também à Guiana Francesa e à Martinica, territórios franceses ultramarinhos na América Latina, onde vários casos foram registrados, aponta Les Echos.

Le Figaro entrevistou um obstetra da Martinica que afirma ter recebido a visita de muitas grávidas preocupadas. Por enquanto, nenhum caso de microcefalia ou de má-formação foi registrado na ilha. O médico aconselha as mulheres a se proteger contra o mosquito, usando mosquiteiros e repelentes, e lembra que na França, se a microcefalia for confirmada, a mulher tem o direito de abortar.

Brasil vive psicose de bebês microcéfalos

Uma situação completamente diferente da do Brasil, que "vive uma psicose de bebês microcéfalos", afirma Libération. A epideima do zika e a multiplicação dos casos de má-formação nos cérebros de recém-nascidos relançaram o debate sobre a proibição do aborto no país. A associação feminista Anis deve entrar com recurso no STF pedindo autorização para que as mulheres infectadas pelo zika possam interromper a gravidez. O jornal afirma que, enquanto a discriminalização não acontece, centenas de brasileiras já abortaram clandestinamente, na maioria das vezes em condições precárias.

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