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França/racismo

Relatório do Conselho da Europa denuncia banalização do racismo na França

Uma mulher segura o slogan do movimento SOS Racismo "touche pas à mon pote" (não toque no meu amigo) durante uma manifestação contra o partido de extrema direita Frente Nacional (FN) depois dos votos das eleições europeias em 29 de Maio, 2014, em Lyon.
Uma mulher segura o slogan do movimento SOS Racismo "touche pas à mon pote" (não toque no meu amigo) durante uma manifestação contra o partido de extrema direita Frente Nacional (FN) depois dos votos das eleições europeias em 29 de Maio, 2014, em Lyon. AFP PHOTO / JEAN-PHILIPPE KSIAZEK

Um relatório publicado pelo Conselho da Europa nesta terça-feira (1) mostra uma banalização do racismo na França. Os dados também indicam um crescimento dos atos xenófobos, antissemitas e contra os muçulmanos.

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De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Interior francês, a violência envolvendo o racismo aumentou cerca de 14% entre 2012 e 2014. Atos antissemitas representaram 36% dessa alta. No relatório, os especialistas da Comissão Europeia contra o Racismo e a Intolerância, divisão do Conselho que elaborou o documento, também denunciam a homofobia e a discriminação contra os ciganos.

Segundo o secretário-geral da organização, Thorbjorn Jagland, “o discurso de ódio, e, principalmente, sua banalização na esfera pública, continua sendo um tema de preocupação.” Ele pediu às personalidades políticas que “se abstenham de fazer declarações que estigmatizem grupos que já são vulneráveis, aumentando a tensão na sociedade francesa”.

“Hitler não matou o suficiente”, disse prefeito francês

O conselho cita o caso do deputado e prefeito da cidade de Cholet, Gilles Bourdouleix. Em 2013, durante a ocupação ilegal de um terreno por um grupo de ciganos, ele declarou que "talvez Hitler não tenha matado o  suficiente". Na época o prefeito francês foi condenado a pagar uma multa de € 30 mil. O texto também chama a atenção para o aumento das declarações contra muçulmanos, citando a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen. Em 2010, ela comparou as orações islâmicas nas ruas à ocupação alemã na época da Segunda Guerra Mundial.

Proibição de cardápios sem carne de porco

Os exemplos não param por aí. O prefeito da cidade de Meaux, Jean-François Copé, figura emblemática do partido “Os Republicanos”, também chocou a opinião pública ao comentar o caso do garoto que teve seu "pain au chocolat" (pão de chocolate, em tradução livre) roubado por um grupo de “vagabundos muçulmanos porque é proibido comer durante o Ramadã”.

A comissão também lamenta decisões tomadas "em nome de uma concepção restritiva da laicidade." É o caso do prefeito de Chalon-sur-Saône, Gilles Platret, que decidiu acabar com os cardápios sem carne de porco nas cantinas das escolas - as religiões muçulmana e judaica proíbem o consumo de derivados de suínos. O relatório ainda lamenta os discursos racistas na internet e redes sociais, apesar dos esforços das autoridades para controlar esse fenômeno, o mesmo observado nas manifestações contra o casamento homossexual, no início de 2013.

Currículo escolar deve incluir programas sobre imigração e religião

Para coibir o avanço do racismo, o Conselho da Europa preconiza a inserção no currículo escolar de programas "para compreender melhor as questões ligadas à religião e à imigração". O texto também elogia a iniciativa do governo francês de criar um cargo interministerial para lutar contra racismo e a intolerância, a adoção de dois planos de luta contra o racismo e o antissemitismo e a abertura de um programa para promover valores cidadãos e democráticos.

 

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