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França

Migrantes costuram boca em protesto à destruição de seus barracos em Calais

Oito migrantes iranianos costuraram os lábios nesta quarta-feira (2), em protesto ao desmantelamento de parte do acampamento de Calais, no norte da França.
Oito migrantes iranianos costuraram os lábios nesta quarta-feira (2), em protesto ao desmantelamento de parte do acampamento de Calais, no norte da França. Pascal Rossignol/Reuters

Oito migrantes iranianos costuraram os lábios nesta quarta-feira (2), em protesto à destruição de suas residências no acampamento de Calais, no norte da França. Desde o início da semana, autoridades colocam abaixo os barracos desta que é a maior favela do país.

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Com as bocas alinhavadas e parte dos rostos cobertos, o grupo caminhou pelo acampamento exibindo cartazes com as mensagens em inglês: "We are humans" (Somos humanos), "Where is your democracy?" (Onde está a sua democracia?) e "Where is our freedom?" (Onde está a nossa liberdade?).

Segundo François Guennoc, integrante da associação "L'Auberge des migrants" (O Albergue dos Migrantes), o grupo teve seus barracos destruídos e não tem mais onde se alojar.

A manifestação atraiu a atenção dos repórteres e fotógrafos que trabalham na cobertura do desmantelamento. As imagens e vídeos dos lábios costurados dos iranianos foram destacadas por toda a mídia francesa na manhã desta quinta-feira (3).

De acordo com o encarregado da ong Médicos sem Fronteiras (MSF) para Calais, Olivier Marteau, os oito iranianos pediram aos profissionais da saúde que trabalham no acampamento de Calais que alinhavassem seus lábios. "Obviamente, recusamos", disse.

Marteau explicou que, com o pedido negado, os próprios migrantes resolveram perfurar seus lábios. "Eles próprios o fizeram de forma pouco higiênica, esterilizando as agulhas, esquentando-as" a altas temperaturas, acrescentou.

Para o encarregado da MSF, o gesto destes migrantes "demonstra que as soluções propostas não os satisfazem".

Desmantelamento da parte sul da "Selva de Calais" continua

A polícia francesa continua nesta quinta-feira (3) a destruição da parte sul da chamada "Selva de Calais". No local, entre 800 e mil migrantes estão acampados em situação irregular e em condições insalubres. Em todo o acampamento, estima-se que o número de pessoas morando no local seja entre 3,7 mil e 7 mil, principalmente sírios, afegãos e sudaneses, além de 300 menores de idade.

A França tenta realojá-los em outros centros de acolhimento de Calais e em outras partes do país. Mas poucos migrantes aceitam deixar o local e abandonar o sonho de chegar à Inglaterra. Na segunda-feira (29), dezenas de moradores do acampamento entraram em confronto com a polícia.

O futuro de Calais está na agenda de um encontro desta quinta-feira em Amiens, norte da França, entre o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron. O secretário de Estado francês para assuntos europeus, Harlem Désir, disse à RFI que Londres vai aumentar em mais de € 20 milhões sua ajuda para gestão da crise.

Atualmente o governo britânico contribui com € 60 milhões para melhorar a segurança no acesso ao túnel sob o Canal da Mancha, a luta contra os "coiotes" e para o financiamento dos centros de acolhida dos migrantes.

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