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Arte

Quadro de Caravaggio encontrado em sótão na França é autêntico

A obra "Judite e Holofernes", do pintor Caravaggio, encontrada no sótão de uma casa perto de Toulouse, no sul da França.
A obra "Judite e Holofernes", do pintor Caravaggio, encontrada no sótão de uma casa perto de Toulouse, no sul da França. Patrick Kovarik/AFP

O quadro "Judite e Holofernes", do pintor italiano Caravaggio (1571-1610), recentemente descoberto no sótão de uma casa no sudoeste da França, é uma obra autêntica, segundo vários especialistas. A informação foi divulgada nesta terça-feira (12).

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"Esta iluminação especial, esta energia típica de Caravaggio, sem correções, com a mão segura, e as matérias pictóricas, fazem com que este quadro seja autêntico", declarou o especialista Eric Turquin, admitindo, no entanto, que ainda haverá sempre dúvidas das análises.

Nicola Spinoza, ex-diretor do museu de Nápoles e um dos grandes especialistas mundiais na obra do pintor, concorda com Turquin. "É preciso ver nesta tela um verdadeiro original do mestre lombardo, identificável quase com certeza, apesar de não termos prova tangível e irrefutável", assinala Spinoza.

Obra foi pintada entre 1600 e 1610

"Judite e Holofernes" foi descoberta no sótão de uma casa perto da cidade de Toulouse, no sudoeste da França, e proibida de sair do país por parte das autoridades francesas, até que a análise sobre sua autenticidade fosse concluída. A pintura mostra Judite, grande heroína bíblica, viúva da cidade de Betúlia, decapitando em sua tenda Holofernes, o general de Nabucodonosor, que sitiava a cidade.

Estima-se que o quadro tenha sido pintado entre 1600 e 1610. Uma carta de Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio, menciona o trabalho em uma obra com os dois personagens, reforça a hipótese de que a autoria do quadro encontrado é de sua autoria.

A existência do quadro já era conhecida por uma cópia dele atribuída a Louis Finson, pintor flamengo contemporâneo de Caravaggio. Porém, o original nunca havia sido encontrado. A tela tem um valor estimado entre € 100 milhões e € 120 milhões.

Dificuldade em confirmar a autoria das obras 

Até o século XIX, mais de 300 pinturas haviam sido atribuídas a Caravaggio. Mas, atualmente apenas 80 telas foram formalmente reconhecidas por serem de sua autoria. Entre elas, cerca de vinte quadros ainda dividem os especialistas sobre a autenticidade.

A dificuldade de confirmar a autoria das telas do pintor se deve à sua turbulenta vida. Condenado em 1606 por assassinato, Caravaggio fugiu pela Europa até morrer em circunstâncias misteriosas, em 1610. Além disso, nesta época, os artistas não assinavam suas obras.

(Com informações da AFP)

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