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França

Ministro francês diz que agiu de forma inapropriada com jornalista

French Minister of Finance Michel Sapin, Brussels, Belgium, 7 May 2015.
French Minister of Finance Michel Sapin, Brussels, Belgium, 7 May 2015. Reuters/Eric Vidal

Em um momento em que a França é sacudida por denúncias de agressão e assédio sexual contra o deputado ecologista Denis Baupin, o ministro francês das Finanças, Michel Sapin voltou atrás em um episódio que havia taxado de "calunioso". O socialista admitiu nesta quarta-feira (11) ter agido de forma "inapropriada" com uma jornalista no ano passado. O caso foi parar nas páginas de um livro que denunciou o sexismo na política francesa.

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Em um comunicado emitido nesta quarta-feira, o ministro francês das Finanças explica que resolveu esclarecer um episódio vivido em 2015 no Fórum Econômico de Davos, na Suíça. Segundo ele, "as circunstâncias atuais" do caso Baupin "o obrigam a fornecer, com toda transparência, as precisões necessárias" sobre os fatos mencionados no livro "L'Elysée off" ("Eliseu em off", tradução livre), de Stéphanie Marteau e Aziz Zemouri.

"Durante uma estadia em Davos em janeiro de 2015, em meio a 20 pessoas, fiz um comentário a uma jornalista sobre sua roupa, pousando minha mão em suas costas. Não havia em minha atitude nenhuma vontade agressiva ou sexista, mas o simples fato de ter ofendido esta pessoa demonstra que minhas palavras e meu gesto eram inapropriados. Eu lamentei e lamento muito", escreveu Sapin.

"Nos minutos que se seguiram, a jornalista pediu para se encontrar comigo sozinha para me transmitir sua indignação. Evidentemente, eu apresentei a ela minhas mais sinceras desculpas", acrescentou.

Ministro teria puxado a calcinha de uma jornalista

No livro, Marteau e Zemouri escrevem que o ministro, ao ver uma jornalista que se abaixou para pegar uma caneta no chão, "ele não conseguiu segurar sua mão, murmurando: 'Ah, mas o que você está me mostrando?' e (...) puxou o elástico da calcinha da repórter, que vestia uma calça de cintura baixa".

Quando o caso foi divulgado na França, associações feministas tomaram a defesa da jornalista e exigiram a demissão imediata de Sapin. Mas ele negou o episódio e voltou novamente a classificá-lo de "falso", quando as denúncias de agressões sexuais contra Baupin vieram à tona, nesta semana.

Sem citar o nome do ministro socialista, o caso também foi evocado no manifesto de 40 jornalistas, intitulado "Tira a mão!", contra o sexismo na política francesa. O texto foi publicado pelo jornal Libération no ano passado. As signatárias mencionavam um "ministro que, quando nos vê agachadas para pegar a caneta, não consegue segurar sua mão".

Sapin não quer ser associado ao deputado acusado de agressão sexual

Pouco antes de divulgar seu comunicado, o ministro francês pediu que "ninguém confundisse" o episódio do Fórum de Davos com os que teriam sido protagonizados por Baupin. "O que as mulheres descreveram é assustador", escreve sobre o escândalo desta semana, reiterando que compete à justiça "julgar os fatos, não a imprensa ou a opinião pública".

Revelados pela rádio France Inter e pelo site de informação Mediapart na segunda-feira (9), os depoimentos de quatro mulheres, todas elas colegas do deputado ecologista, chocaram a opinião pública do país. Outras quatro francesas aceitaram testemunhar sob anonimato, com medo de sofrer represálias.

A Justiça francesa anunciou, na terça-feira (10), que abriu uma investigação para apurar as acusações de agressão e assédio sexual contra Baupin. O deputado ecologista foi pressionado a renunciar ao cargo que ocupava de vice-presidente da Assembleia Nacional.

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