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França

Violência marca protesto contra reforma trabalhista na França

Em Paris, manifestantes e policiais entraram em confronto no final do protesto contra a reforma do trabalho, nesta terça-feira (17).
Em Paris, manifestantes e policiais entraram em confronto no final do protesto contra a reforma do trabalho, nesta terça-feira (17). REUTERS/Gonzalo Fuentes

Mais de 200 mil manifestantes saíram às ruas nesta terça-feira (17) em toda a França para protestar contra o projeto de lei que pretende rever o Código do Trabalho. Em Paris, confrontos entre policiais e militantes foram registrados no final do protesto, o sexto contra a controversa reforma do governo.

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Na capital francesa, cerca de 55 mil pessoas participaram de uma passeata (12 mil, segundo a polícia), que terminou em violência. No final da manifestação, nos arredores da Praça Denfert-Rochereau, no 14° distrito, manifestantes e polícia se confrontaram. Policiais atiraram bombas de gás lacrimogênio para dispersar os militantes, que responderam atirando pedras. Doze pessoas foram presas.

Várias cidades em todo o país também aderiram ao movimento, que reuniu, segundo o ministério do Interior, 68 mil participantes. Em Nantes, segundo os sindicatos, a manifestação reuniu 10 mil pessoas segundo os sindicatos (3,5 mil segundo a polícia); em Marselha e Toulouse, 8 mil (6,2 mil e 2,3 mil segundo a polícia); em Lyon 7 mil (1,9 mil segundo a polícia). Em Marselha, onde violências também foram registradas, oito essoas foram presas. No resto da França, 67 pessoas foram detidas.

Reforma da lei trabalhista inflama a França desde março

Desde março, o controverso projeto de lei que pretende rever a lei trabalhista inflama a opinião pública na França. A reforma visa, segundo o governo, dar mais flexibilidade às empresas para lutar contra o alto desemprego no país. No entanto, o texto confere maiores poderes às empresas para demissão e organização do tempo de trabalho. Especialistas argumentam que ela aumentará a precariedade trabalhista.

Na última terça-feira (10), uma sessão extraordinária do Conselho de Ministros autorizou o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, a recorrer ao artigo 49-3 da Constituição francesa. A medida permite que um projeto de lei seja adotado “à força”, sem o voto do Parlamento. A decisão enfureceu a opinião pública francesa e mobilizou ainda mais o movimento grevista para esta semana.

Apesar da pressão das manifestações, o presidente francês, François Hollande, declarou nesta terça-feira que não pretende recuar. "Não cederei porque há muitos governos que cederam. E foi neste estado que eu encontrei o país em 2012", declarou, em entrevista à rádio Europe 1.

Novos setores aderiram ao movimento

A mobilização foi convocada pelos sete maiores sindicatos franceses e obteve adesão de muitos setores. Novas categorias, comos os camioneiros, aderiram ao movimento e bloquearam várias estradas do país. A paralisação afetou também os transportes públicos, o tráfego ferroviário e aéreo. Uma nova greve geral está marcada para a quinta-feira (19).

Para os sindicalistas, a semana é crucial para mobilizar os trabalhadores contra o projeto de lei que pode ser adotado à força, sem o voto do Parlamento. "Não fomos ouvidos até agora. Então vamos gritar ainda mais forte", disse Philippe Martinez, presidente do sindicato Confederação Geral do Trabalho (CGT).

No entanto, a mobilização vem perdendo força desde que começou, no final de março. A maior adesão foi registrada na primeira manifestação, no dia 31 de março, quando 1,2 milhão de pessoas ocuparam as ruas das principais cidades francesas, segundo os organizadores (390 mil segundo a polícia). O último protesto, no dia 12 de maio, mobilizou 500 mil pessoas, segundo os sindicatos (170 mil, de acordo com o Ministério do Interior).

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