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Ciência e Tecnologia

Aplicativo permite que deficientes auditivos possam telefonar na França

Áudio 05:47
Operadores treinados intermediam conversas telefônicas entre deficientes auditivos e estabelecimentos na França, por meio do novo aplicativo Acceo.
Operadores treinados intermediam conversas telefônicas entre deficientes auditivos e estabelecimentos na França, por meio do novo aplicativo Acceo. Divulgação

Acceo é o nome do aplicativo recém-lançado na França inteiramente dedicado a pessoas surdas ou com limitações de audição, uma população que contabiliza atualmente cerca de 7 milhões de franceses. A RFI entrevistou pela primeira vez por telefone um surdo de nascença, Arnaud Repellin, além de representantes da marca responsável por lançar o aplicativo na França.

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O novo aplicativo visa atingir uma parcela do público europeu que só tende a aumentar nos próximos anos, devido ao envelhecimento da população e ao aumento da poluição sonora. Segundo Dominique Ruault, diretor da marca, o Acceo já existe no mercado francês há 10 anos, mas pela primeira vez é popularizado massivamente e distribuído a estabelecimentos franceses cadastrados, por meio de uma aplicação gratuita disponível na App Store e no Google Play.

"A importância deste serviço é tornar acessíveis os estabelecimentos públicos e privados à totalidade da população surda ou com limitações auditivas. Só para lembrar, os surdos e as pessoas com dificuldades para ouvir representam quase 10% da população francesa. São pessoas que possuem basicamente duas maneiras para se expressar, seja por meio da língua francesa de sinais, ou oralmente, como você e eu”, afirma Ruault.

Fator humano e a e-transcrição

"Efetivamente, quando pensamos sobre os serviços que desejávamos oferecer à população surda ou que escuta com dificuldade, levamos em conta o fator humano. Quando a pessoa telefona aos estabelecimentos cujo acesso se tornou possível devido a este aplicativo, ela é colocada diretamente em contato com um operador Acceo, ou em linguagem de sinais ou em através do sistema de transcrição instantânea, e isso lhe permite de visualizar este operador, o que proporciona muita segurança para pessoas que ou nunca telefonaram na vida e que começam a fazê-lo graças ao serviço", explica Dominique Ruault.

"No que se refere à atividade da Acceo hoje, temos mais de 20 mil estabelecimentos que se tornaram acessíveis graças ao aplicativo. São mais de 100 mil chamadas por ano, temos mais ou menos 100 atendentes à disposição e contratamos entre 15 e 30 novas pessoas a cada ano, com um detalhe: inventamos um novo segmento de mercado na França, a e-transcrição, que permite decodificar as demandas de pessoas surdas para que todos possam lê-las, afirma o diretor.

"Cada operador segue uma formação intensiva de dois anos em nossa sede da região de Les Bouchoux, no Alto Jura, no leste da França. Trata-se de uma formação especializada que capacita profissionais a transcreverem muito rapidamente, na velocidade do discurso, ou seja, de mais de 200 palavras por minuto", detalha Ruault. "Lançamos um novo jeito de se comunicar para surdos ou pessoas com dificuldade de ouvir, atarvés de uma aplicação gratuita disponível para ser baixada por toda população francesa, em todos tipo de dispositivos como tablets e smartphones. Graças a este recurso, essas podem telefonar diretamente para estabelecimentos cadastrados que se tornaram acessíveis para essa parcela importante da sociedade - 10% apenas na França - por meio dessa tecnologia", finaliza Dominique Ruault, diretor daAcceo.

"Um dos grandes destaques desta aplicação é permitir às pessoas surdas ou com limitações auditivas de geolocalizar os estabelecimentos comerciais que estão ao redor, para poder telefonar e entrar em contato com eles. Mas não trabalhamos apenas com essa lógica pontual de marcar encontros por telefone, o que interessa mesmo é a experiência destas pessoas enquanto clientes, pacientes, cidadãos... A experiência como cliente inclui não apenas telefonar ao banco, mas interagir com seu gerente e negociar taxas, por exemplo… “

Surdez e oralidade no cotidiano

Arnaud Repellin, de 44 anos, é surdo de nascença e concedeu uma entrevista para a RFI utilizando o aplicativo Acceo. Arnaud, que trabalha atualmente na EDF, uma empresa fornecedora de energia, é também voluntário na Handisport, a Federação Francesa de Esporte para deficientes.

“Depois que este sistema foi disponibilizado para surdos e pessoas com limitação auditiva, foi como uma revolução para nós, porque enfim pudemos conversar por telefone e receber as mensagens de vocês, coisas que até então nunca tínhamos feito. Não nos sentíamos confortáveis em nos comunicar por telefone, era sempre por SMS ou e-mail, mas a oralidade é importante no cotidiano, é algo direto", afirma Repellin.

O francês possui 90% de surdez e nunca tinha utilizado um telefone na vida, antes do aplicativo. Fluente na língua de sinais, ele aprendeu e foi estimulado a falar relativamente cedo. Arnaud conta particularidades do processo de adaptação ao novo aplicativo e às facilidades adquiridas por meio do uso do telefone.

“Aprendi a falar, mas me sentia verdadeiramente à parte por causa da surdez. É curioso, como eu me exprimo bem oralmente, muitas pessoas não acreditam que eu seja realmente surdo e desligam na minha cara. Outra possibilidade é que a operadora disponível pelo aplicativo na linguagem de sinais seja uma mulher, o que pode confundir um pouco meu interlocutor. É, de verdade, uma mudança importante para todo mundo ”, finaliza Repellin.

O Acceo tem em sua lista de clientes não apenas grandes cidades francesas como Paris, Bordeaux e Nice, mas também redes bancárias importantes equipamentos de turismo e segurança urbanos, hospitais, e mesmo gigantes como as empresas francesas EDF, GRDF, do setor energético, e SNCF, de transporte público.

 

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