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Extrema-direita/França/Eleições

Extrema-direita será inevitável no segundo turno das presidenciais francesas, diz pesquisa

A líder do partido extrema-direita francês Frente Nacional, Marine Le Pen, durante comício do 1° de maio.
A líder do partido extrema-direita francês Frente Nacional, Marine Le Pen, durante comício do 1° de maio. REUTERS/Charles Platiau

Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, partido de extrema-direita francês, possui cerca de 28% de intenções de voto para as eleições presidenciais de 2017 no país.

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Uma pesquisa eleitoral, inédita pela sua amplitude, foi conduzida pelo Centro de Pesquisas Políticas da universidade Sciences Po (Cevipof) em colaboração com o jornal Le Monde, e realizada pelo Ipsos-Sopra Steria com cerca de 20 mil eleitores entre os dias 13 e 22 de maio de 2016.

Os resultados mostram que François Hollande, atual presidente francês, conta apenas com 4% de aprovação dos franceses e ficaria com 14% de votos durante as eleições presidenciais francesas. O dado mais alarmante da pesquisa, no entanto, diz respeito à quase inevitabilidade da presença de Marine Le Pen, presidente do partido de extrema-direita francesa Frente Nacional, nas presidenciais de junho de 2017, repetindo o feito de seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2002.

Fundador da Frente Nacional e atualmente rompido com sua filha e sucessora no trono da extrema-direita francesa, Marine, Jean-Marie Le Pen deixou a França e o mundo em polvorosa quando chegou ao segundo turno face à Jacques Chirac, nas presidenciais de 2002.

Duelo de direitas

Segundo a pesquisa do Cevipof, Marine consolida uma situação eleitoral que lhe garante um lugar quase indiscutível no segundo turno das presidenciais de 2017. Contabilizando 28% das intenções de voto, ela se encontra à frente mesmo do pré-candidato de direita dos Republicanos, o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, com um percentual de 21%.

Se durante as primárias dos Republicanos vencer o outro candidato, Alain Juppé, a situação melhora um pouco para a direita francesa, com um escore de 35%. Até agora nenhum indicativo, segundo a pesquisa, foi capaz de imaginar outro cenário que um duelo final entre direita e extrema-direita na França, nas presidenciais de 2017.

O candidato que chega na terceira posição, o atual presidente François Hollande, do Partido Socialista, não chega à 14% de intenções de voto. Uma das características da candidatura de Marine Le Pen, da extrema-direita, é a solidez do núcleo de seu eleitorado. Cerca de 90% das pessoas que dizem ter votado nela há quatro anos se mostram prontas a fazê-lo novamente. O eleitorado dos outros candidados, seja à esquerda ou à direita, mostra-se muito mais volátil.

Temas de predileção da extrema-direita

Segundo uma análise do jornal Le Monde, não é preciso muito esforço ideológico da Frente Nacional para impressionar os franceses, “basta que os outros partidos retomem em seus debates os temas de predileção da extrema-direita, como a identidade nacional, a nacionalidade e a imigração, ou que o contexto de crise econômica e social provoque medo”.

Ainda segundo o diário, depois de ter saturado o espaço midiático nas eleições regionais de dezembro de 2015, onde era candidata, Marine Le Pen fez uma “escolha deliberada pela discrição” desde o início deste ano. Trata-se de uma tentativa de  fazer com que o público francês esqueça um pouco sua imagem separatista, tentando encarnar uma personagem mais calma. A jogada parece ter dados frutos no incerto calendário eleitoral francês, pelo menos por enquanto.
 

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