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França/Futebol

Eurocopa: greves, ameaça terrorista e oportunidade de negócios

O início da Eurocopa é o destaque de todos os jornais franceses desta sexta-feira, 10 de junho.
O início da Eurocopa é o destaque de todos os jornais franceses desta sexta-feira, 10 de junho. RFI

O início da Eurocopa 2016 com o jogo França e Romênia, no Stade de France, é manchete em todos os jornais franceses nesta sexta-feira (10). “É hora de festa”, exclama em sua manchete o jornal Le Parisien.

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A competição que começa esta noite “dá um respiro ao país”, que vive uma situação turbulenta. A seleção francesa tem a responsabilidade de brilhar durante o mês da competição, que acontece em um contexto difícil, entre ameaças terroristas e conflito social. “O desafio é gigantesco”, afirma Le Parisien.

Esta noite no Stade de France, os "Bleus", como são conhecidos os jogadores da França, têm como missão começar com o pé direito o campeonato. Mas, além do plano esportivo, eles vão dar o tom de uma festa que os franceses esperam ser "alegre e fraternal". Todo mundo, a começar pelo próprio governo, torce para que o evento não se transforme em um caos, de acordo com o diário.

Segundo Le Parisien, a França mostrou que é capaz de organizar um belo evento e no prazo certo, como mostram os dez estádios construídos ou renovados para a Eurocopa. No entanto, ainda paira sobre o país a ameaça terrorista, e tudo está sendo feito para que os 2,5 milhões de espectadores que compraram ingressos sejam bem acolhidos.

O estádio da abertura terá uma vigilância excepcional, explica a reportagem sobre a preocupação das autoridades com a segurança. Por outro lado, parte da rede de transporte estará em greve, lembra o texto. Além disso, a partir deste sábado (11), os funcionários da companhia aérea Air France poderão cruzar os braços, e mais: quem passear pelas ruas de Paris vai notar lixo acumulado nas calçadas devido à paralisação dos lixeiros.

Neste contexto, Le Parisien destacou uma frase do capitão da seleção francesa, o goleiro Hugo Lloris. Ele "ousou" dizer: "espero que isso não atrapalhe a festa", em referência ao clima social tenso na França.

Sindicatos mantêm greves e estratégia de “guerrilha”

Em tom mais preocupado, Le Figaro diz que a poucas horas do pontapé inicial da Eurocopa, o governo denuncia uma estratégia de "guerrilha sindical", devido às greves em vários setores principalmente em protesto contra a reforma da legislação trabalhista proposta pelo governo.

O jornal acusa a maior central sindical do país, a CGT, de querer “estragar” o início da competição com ações pontuais e espetaculares. “O jogo entre governo e CGT continua”, afirma o diário, que considera o executivo "derrotado" ao ter apostado em pôr um fim à crise antes do início do evento.

Apesar de denunciar a “bagunça” promovida pelos sindicalistas, o governo decidiu receber o líder da CGT, Pierre Martinez, no dia 14 de junho. Segundo Le Figaro, a CGT está consciente de que pode perder a batalha da opinião pública, devido aos bloqueios, e por isso declarou esperar que “a Eurocopa possa ser realizada da melhor maneira e que seja uma festa”.

Apesar das declarações, a central sindical não pretende ceder e aposta que a pressão durante a Eurocopa irá obrigar o governo a recuar.

Objetivos do torneio vão além dos gramados

Libération dedica várias páginas para a seleção do treinador Didier Deschamps, considerada uma “geração dourada” que tem uma missão além das ambições esportivas.

O jornal lembra que a fase de preparação foi marcada pela polêmica lançada pelo ex-jogador Eric Cantona de que alguns jogadores, como o atacante Benzema, não foram selecionados por suas origens estrangeiras. O próprio atacante do Real Madrid, de uma família argelina, considerou que Deschamps cedeu “à pressão de uma parte racista da sociedade francesa”. Para Libération, Deschamps tem outra missão: virar a página de uma época em que as estrelas do time davam as cartas e impunham suas regras no vestiário e sobre os dirigentes.

Eurocopa é oportunidade de negócios para setor privado

Les Echos diz que a Euro 2016 é uma grande oportunidade de negócios para o país. O jornal especializado em economia cita o exemplo de três “start-ups” francesas que criaram produtos em torno do evento.

Uma delas é um aplicativo sobre estatísticas das partidas e jogadores, que será usado por uma publicação esportiva. Outro exemplo citado é o de um aplicativo que coloca em contato vários fãs para organizarem juntos a ida ao estádio. Um terceiro caso, apresentado como uma iniciativa promissora, é o do aplicativo que oferece entrega rápida de comida e bebida diretamente na arquibancada do estádio.

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