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Terrorista dos atentados de Paris lê o Corão e vê reality shows na prisão

Salah Abdeslam
Salah Abdeslam AFP/POLICE NATIONALE/AFP

Ler o Corão, preparar as refeições, assistir "reality shows" e dormir. Esse é o cotidiano, nos últimos dias, de Salah Abdeslam, o único integrante vivo da quadrilha terrorista que realizou os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris.

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O relato é de um repórter do Journal de Dimanche, que pôde entrar no presídio Fleury-Mérogis, na região de Essonne (ao sul de Paris), onde se encontra o criminoso mais vigiado da França.

Ele conseguiu ingressar no centro graças ao deputado Thierry Solère, do partido de direita Os Republicanos. Porém o jornalista não pôde entrar no andar onde fica a cela de Abdeslam, que se encontra 24 horas sob vigilância desde o seu ingresso, no dia 27 de abril.

"Houve um grande alvoroço quando Abdeslam chegou, um misto de aplausos, sobretudo dos mais jovens, e de vaias, que foram mais altas que os aplausos", conta Mario Guzzo, responsável pela segurança dos prédios centrais.

Quatro celas reservadas para Abdeslam

No 4° andar do edifício D3, à direita, fica uma dúzia de presos radicalizados, isolados por suspeita de participação em ataques terroristas. "Eles nunca estão em contato com Abdeslam", disse Guzzo, ao jornal semanal.

Quatro celas são reservadas para o francês de 26 anos, detido por suspeita de assassinatos terroristas, de ter assegurado a logística dos atentados, principalmente alugando carros e quartos de hotel, e de ter abandonado seu cinturão de explosivos antes de fugir para Bruxelas.

Quatro meses depois, Abdeslam foi preso em um prédio do bairro de Molenbeek, considerado um reduto jihadista na capital belga.

O suspeito dorme em uma cela limpa, com as paredes brancas. Uma outra cela foi reservada para caso a primeira tenha que ser evacuada. Em uma terceira cela, um vigilante observa as imagens transmitidas por uma meia dúzia de potentes câmeras de segurança, que podem mostrar com nitidez o que ele come ou o que ele lê.

Reality shows e nervosismo

Quando, no final da tarde da última quarta-feira, o deputado Solère entrou nessa sala de vigilância Abdeslam saía do banheiro, escovava os dentes e lavava as mãos. "Depois ele se perfumou e desenrolou seu tapete vermelho para rezar", contou o parlamentar.

Enquanto ele estava rezando, Solère notou "a cama perfeitamente feita" e a arrumação "maníaca" da cela. Ele também percebeu um grande nervosismo no comportamento do terrorista. Depois de rezar, Abdeslam sentou na cama e leu o Corão. Segundo os seguranças, ele passa o tempo cozinhando e não é muito fã de futebol, apesar dos jogos da Eurocopa. Os carcereiros relatam que "o negócio dele são os reality shows".

A quarta cela é usada para a prática de exercícios, com um aparelho de remo. A direção do presídio explicou que ele não entra em contato com os demais presos para a própria segurança.

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