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Brasil

Políticos franceses defendem Dilma nas páginas do Le Monde

Senadores e deputados franceses dizem que Dilma foi vítima de um manobra parlamentar.
Senadores e deputados franceses dizem que Dilma foi vítima de um manobra parlamentar. lemonde.fr

Um grupo de 28 senadores e deputados franceses de esquerda publicou no jornal Le Monde um artigo no qual defendem a presidente brasileira Dilma Rousseff. O texto, que critica o governo interino de Michel Temer, contesta o processo de impeachment e afirma que a chefe de Estado foi vítima de um “manobra parlamentar”.

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O artigo, publicado no site do vespertino na tarde desta quarta-feira (13), é assinado por personalidades francesas ligadas aos partidos comunista ou ecologista, como o deputado Noël Mamère e a eurodeputada Karima Delli, ou ainda os senadores Patrick Abat, Jean-Pierre Bosino e Laurence Cohen, presidente do grupo interparlamentar da amizade franco-brasileira. O texto começa dizendo que “as máscaras estão caindo no Brasil”, com a revelação de escutas telefônicas antigas que mostrariam as “manobras” feitas antes do processo de destituição da presidente Dilma. Os signatários afirmam que parlamentares brasileiros usaram o processo de impeachment da chefe de Estado para escapar da ameaça que corriam de serem alvo de processos por corrupção.

O texto, que afirma que “o processo constitucional do destituição foi manipulado por uma maioria parlamentar”, explica rapidamente aos leitores franceses a questão do crime de responsabilidade e das pedaladas fiscais. E prossegue ressaltando que “a presidente suspensa não está implicada em nenhum dos inúmeros casos de corrupção que visam a classe política”.

Destruir conquistas da esquerda

Os parlamentares continuam o texto com uma série de críticas ao governo interino de Michel Temer. Para os franceses, a tentativa de suprimir o ministério da Cultura, a falta de diversidade no governo, ou ainda o “anúncio do fim de programas sociais como Minha Casa, Minha Vida ou Mais Médicos representam um golpe de Estado institucional visando destruir todas as reformas sociais que permitiram que, durante os treze anos de governo de esquerda, mais de 40 milhões de brasileiros saíssem da miséria”.

O texto defende que “os homens desse governo interino querem ir rápido demais e não se preocupam com a situação de instabilidade política, econômica e social na qual estão afundando o Brasil”. Os parlamentares afirmam apoiar as “centenas de milhares de brasileiros que se mobilizam em todo o país em defesa da democracia, exigindo o fim desse governo ilegítimo e a volta da presidente democraticamente eleita”.

“Nós, parlamentares, esperamos que a Corte Suprema Federal, que ainda não se pronunciou totalmente, condene essa manipulação do processo de destituição. Nós, parlamentares franceses, pedimos que o governo de François Hollande se pronuncie e condene esse golpe contra a democracia”, continuam os deputados e senadores. O grupo compara ainda a situação brasileira com a de outros países latino-americanos, como Honduras e Paraguai, e afirma que o Brasil é a terceira nação da região a viver um “golpe de Estado institucional”.

Os parlamentares terminam pedindo apoio da comunidade internacional. “Seria grave para toda essa parte do continente que o maior país da América Latina se afunde em um impasse político, econômico e social.”
 

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