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França/terrorismo

Mídia francesa deixa de publicar fotos de terroristas

Uma mulher acende flores e velas na frente da igreja
Uma mulher acende flores e velas na frente da igreja REUTERS/Pascal Rossignol

Vários veículos franceses, incluindo a Radio França Internacional (RFI), decidiram não publicar fotos dos terroristas autores de atentados na Europa. Geoffroy Didier, membro do partido de oposição Os Republicanos, propõe que os nomes dos jihadistas também não sejam revelados.

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Além da RFI, a decisão também foi anunciada pelo canal de TV BFM TV, pelos jornais Le Monde e La Croix e pela rádio Europe 1. O objetivo é evitar o efeito “de glorificação póstuma”, e não colocar no mesmo nível “vítimas e terroristas”. Em um editorial publicado nesta quarta-feira (27) no jornal, intitulado “Resistir ao Ódio”, o diretor do Le Monde declara: “não devemos esconder os fatos, ou a trajetória desses assassinos. Por isso não somos favoráveis ao anonimato. Mas as fotos não são úteis”, diz o texto.

A mesma decisão foi tomada pela rede BFMV TV. “A dificuldade deste debate é evitar fazer propaganda dos terroristas sem renunciar à informação”, disse o diretor da redação, Hervé Béroud. O jornal La Croix foi mais longe e só publicará as iniciais dos autores dos atentados. A rádio Europe 1 também decidiu que não vai mais citar o nome dos terroristas nos jornais.

Uma posição criticada pelo jornal Libération, que considera “impossível” que os terroristas continuem anônimos depois dos ataques. Por hora, o Libé também continuará a publicar fotos. “Publicar fotos e glorificar os terroristas não é a mesma coisa”, defende.

Membro da oposição defende lei que impõe anonimato

Para o membro do partido Os Republicanos, Geoffroy Didier, entrevistado pela RFI, a sociedade deve se mobilizar e se responsabilizar para evitar que novos jihadistas se inspirem nos atos cometidos pelos seus aliados. “Fiz uma proposta nesta manhã que consiste a manter os autores dos atentados no anonimato e impedi-los de ter uma glória “post-mortem”. É preciso que a Justiça e a mídia se unam e as fotos e os nomes desses jihadistas não sejam mais revelados”, declara.

Segundo Didier, os terroristas não são “celebridades”. “Podemos revelar a nacionalidade, os antecedentes judiciais e o processo de radicalização, porque os franceses têm direito à verdade. Mas não vamos dar a eles a possibilidade de se “consagrarem” através do grupo Estado Islâmico. Não se esqueçam de que muitos que cometeram atentados anunciaram a seus parentes e amigos antes mesmo dos atos que se tornariam em pouco tempo célebres”.

O político francês, candidato às primárias do partido de oposição para as presidenciais francesas em 2017 , defende que, se não houver “bom senso”, uma lei seja criada para obrigar os veículos de comunicação a respeitar o anonimato.
 

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