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Terrorismo/UE

Muçulmanos vão a missas na França em solidariedade a padre decapitado

Muçulmanos assistem à missa ao lado de católicos na catedral de Rouen, neste domingo (31), em homenagem ao padre Jacques Hamel.
Muçulmanos assistem à missa ao lado de católicos na catedral de Rouen, neste domingo (31), em homenagem ao padre Jacques Hamel.

Os franceses de confissão muçulmana foram convidados e participam de missas realizadas neste domingo (31) em igrejas católicas de todo o país, para manifestar solidariedade aos cristãos e seu repúdio à violência, após o assassinato do padre Jacques Hamel por dois jihadistas, na última terça-feira (26). O mesmo movimento é observado na Itália.

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Uma missa na catedral de Rouen, na Normandia, próxima do local onde o padre foi decapitado, reuniu nesta manhã 2 mil fiéis católicos e uma centena de muçulmanos. A "missa pela paz" na catedral de Rouen foi celebrada pelo arcebispo Dominique Lebrun e teve homenagens em forma de cânticos e orações ao padre assassinado de forma selvagem. Ele tinha 85 anos.

O chamado para que os muçulmanos mostrassem solidariedade com os católicos foi feito pelo Conselho Francês do Culto Muçulmano, o órgão máximo representativo da comunidade no país. Algumas mulheres, com a cabeça coberta pelo véu islâmico, comentaram que era a primeira vez que elas visitavam a catedral. Ao final, os presentes se abraçaram e defenderam a paz.

Em Bordeaux (sudoeste), o pregador da principal mesquita da cidade, Tareq Oubrou, visitou a Igreja de Nossa Senhora acompanhado por uma delegação de uma dúzia de fiéis. Em Nice, cidade ainda traumatizada pelo atentado reivindicado pelo grupo Estado Islâmico, que deixou 84 mortos e 435 feridos no dia 14 de julho, a igreja de Saint Pierre de Ariane recebeu a visita do pregador Otman Aissaoui e de um grupo de fiéis. "Estar unidos é uma resposta aos atos de terror e barbárie", disse o religioso muçulmano.

Essa iniciativa, rara na França, rompe o silêncio dos muçulmanos praticantes. Eles não costumam expressar publicamente suas convicções pelo receio de serem discriminados. O gesto, considerado simbólico, também é uma resposta às críticas de que não combatem abertamente o fundamentalismo.

Muçulmanos também vão à missa na Itália

O mesmo movimento de solidariedade atravessou a fronteira e foi visto na Itália. De Milão (norte) até a Sicília (sul), pregadores muçulmanos e fiéis assistiram ao tradicional culto de domingo dos católicos.

Em sua página no Facebook, a Confederação Islâmica Italiana escreveu "só juntos poderemos vencer". No Twitter, o ministro das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni, agradeceu "a todos os italianos de confissão muçulmana que indicam à sua comunidade o caminho da coragem contra o fundamentalismo".

Investigação avança com novo indiciamento

Cinco dias após o assassinato do padre, a polícia francesa liberou hoje um refugiado sírio cuja cópia do passaporte havia sido encontrada na casa de um dos jihadistas abatido pelos policiais. Os investigadores não encontraram nenhum indício de ligação do refugiado com o caso. Já um primo de um dos jihadistas, que estava detido para interrogatório, será indiciado por envolvimento com um grupo terrorista. Segundo a polícia, ele sabia muito bem que o primo planejava um ataque iminente.

As investigações também revelaram que os dois jihadistas mortos, Adel Kermiche e Abdel Malik Petitjean, de 19 anos, que viviam a 700 km de distância, se conheceram apenas alguns dias antes da invasão à igreja. Eles entraram em contato por intermédio do aplicativo Telegram, um sistema de mensagens instantâneas semelhante ao Whatspp, desenvolvido por uma empresa russa.

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